Rio de Janeiro, 26 de Setembro de 2026

O despertar da América Latina

Sexta, 08 de Julho de 2011 às 08:05, por: CdB

OPresidente Pepe Mujica, do Uruguai, fez um discurso que comoveu e empolgoutodas e todos que estavam no encerramento da Cúpula Social do Mercosul, comoeu, a delegação da Secretaria Geral da Presidência da República e de movimentossociais brasileiros, dia 28 de junho, em Assunção, Paraguai:

"Ocupamos uma parte importante denossa vida para trabalhar pelos outros para um mundo melhor. A vida émaravilhosa, quase um milagre. E a vida vale a pena quando é vivida com gana.Apesar de todas as dores, muitas graças à vida. Mas para que a vida seja bela,precisa dar-lhe um conteúdo.Vocês, companheiros da militância social, estãolutando por uma causa que necessita vocês fazerem algo, para não serem uma ondaao vento.

Temosduas mãos. Uma mão para lutar por salário e emprego, para mover a matéria, paramudar as condições materiais do mundo. Mas temos a outra, para dar algo aosdemais. Sempre, por mais difícil que seja,vocês poderão dar algo aos demais.

Temosque nos juntar para ter algo neste mundo, para ter presença internacional.Temos que nos juntar, juntar, juntar. Juntar nossas debilidades para ter força.Não é simples, porque a herança cultural nos tem imobilizado. Uma pátria temque estar junto da outra.Tendemos a permanecer atomizados e diluídos, porquenão vemos as ataduras que temos, não nos damos conta.

Porisso, companheiros, esta luta não tem fim na nossa geração. Nós herdamos aherança de outros que romperam a alma pra chegar aqui. Senão teríamos aindagente escrava. Isso tudo não serve para nada se não aparece o humano.Necessitamos precisamente de um grande grau de tolerância para construir essecoletivo forte.

Ahumanidade progrediu porque teve gente que lutou, lutou, lutou e lutou. Não sópara que os reconheçam, mas para dar um conteúdo à vida. Nós temos que fazer anossa parte, para que os que venham depois possam ser convocados à vida. Paraque se tenha um mundo um pouco melhor que o nosso. Muito obrigado,companheiros.”

ACúpula Social do Mercosul aconteceu paralelamente à Cúpula dos Presidentes.Teve dezenas de mesas e trabalho sobre comunicação social, educação popular,tecnologia social, cultura, soberania alimentar, economia solidária, terra ereforma agrária, saúde, juventude, gênero e diversidade, povos originários,migração e tráfico de pessoas, mudanças climáticas, esportes.

Odocumento sobre educação popular, de cuja Mesa de Trabalho participei, com otema central formação de professores, diz: "Décadas de luta dos setorescomprometidos com a superação da situação - influência dos países centrais,dependência científica e tecnológica, limitação das liberdades e derrubada dosgovernos democráticos – e com a construção de uma sociedade mais justa, solidária,democrática nos situam hoje em um momento histórico propício para que asreivindicações, bandeiras e experiências dos setores populares e sociais seencontrem com os projetos políticos dos governos de nossa região.

Ninguémpode negar que a transformação do destino de nossas nações assenta-se naunidade e na mudança cultural. Pode-se pensar, sem dramatizar o futuro, que a‘exclusão social’ constitui o eixo que se deve abordar com urgência paraconstruir instâncias genuínas de organização, educação, trabalho, justiçasocial e esperanças compartilhadas.

Neste Espaço Social do Mercosul,destacamos que a Educação, seja a formal, seja a popular, é uma ferramentapossível para instalar, durante os próximos 30 anos, os desafios da modificaçãocultural necessária que assegure e afirme a vontade ideológica e política queimaginaram os homens e mulheres sábios de nossa América do Sul.

Oeducador, a educadora são atores específicos que colaboram para promoverespaços coletivos de diálogo na sociedade e oferecem as ferramentas chaves paracompreender porque as coisas são assim e instalar as competências necessárias ea esperança para modificar os sistemas injustos, a partir da pluralidade dasorganizações do povo.

Énecessário um debate profundo da sociedade latino-americana para articularestratégias no interior do MERCOSUL e da UNASUL sobre a educação quenecessitamos. As ferramentas a utilizar são numerosas, outras a construir,porém não deixemos que voltem a interromper o caminho que iniciamos.Necessita-se o compromisso de TODAS e TODOS para assegurar uma mudançasubstancial e democrática para a felicidade de nossos povos.”

Opresidente Lugo do Paraguai, o presidente Rafael Correa do Equador, opresidente Pepe Mujica do Uruguai, a presidenta Dilma do Brasil reafirmaram aunidade sul-americana num momento especial de mudanças, de desenvolvimentosustentável, de participação social, de democracia e de protagonismo no mundo.

Comodisse Maria Eugênia Insaurralde, Coordenadora Geral do Centro de Estudos eEducação Popular de Assunção, Paraguai, na Mesa de Trabalho sobre educaçãopopular: "Este é um momento histórico na nossa América Latina. Estamosconstruindo algo novo e diferente. Tenho 33 anos e me sinto parte destacaminhada de lutadoras e lutadores do povo ao longo do tempo.”

Emoito de julho de dois mil e onze

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