A dois dias da reunião decisiva do Conselho de Segurança da ONU, o campo antiguerra, conduzido pela França, endureceu o tom nesta quarta-feira em Paris. "Nós não deixaremos passar um projeto de resolução que autorizaria o uso da força" contra o Iraque, advertiram a França, Alemanha e a Rússia numa declaração em conjunto. Pela primeira vez claramente, Paris e Moscou, que dispõem de direito de veto, têm ameaçado fazer uso deste. "Nós admitiremos todas as nossas responsabilidades", clamou Dominique de Villepin, à saída da reunião com seus colegas russos e alemães. Os três países, que resistem aos projetos bélicos de Washington, parecem decididos a chegar até o fim. Mesmo se as chances forem ínfimas, certamente nenhuma, de impedir a guerra, não há chance de ceder. Pelo contrário. A aposta dos três países é fazer recuar os americanos no Conselho de Segurança. Os britânicos e os espanhóis são aqueles que confiam numa segunda resolução abrindo caminho para intervenção, mas hesitam ainda em submeter o tema ao voto do Conselho. Se eles estivessem convictos que o texto não tinha chance de passar, os Estados Unidos poderiam preferir não arriscar uma derrota humilhante. Para a eles resta então partir para a guerra, sem o aval da ONU, ou então desistir da ação belicista. Evitando fixar um ultimato que retome a lógica da guerra, a declaração comum sublinha que as inspeções não podem durar indefinidamente e chama Bagdá a cooperar mais ativamente. Nesta sexta-feira, por ocasião da reunião do Conselho de Segurança, onde o chefe das inspeções Hans Blix apresentará um novo relatório, os três países vão lançar de novo suas propostas para tornar mais eficazes as inspeções, estabelecer um calendário de trabalho, ponto a ponto para os inspetores, com reuniões regulares a fim de avaliar os avanços. Para os aliados contra a guerra, este procedimento poderá ser suficiente para assegurar que o Iraque permaneça inofensivo. Tradução: Vanessa Barbosa