Por Fábio Lau - Os eleitores que fizeram oposição à Dilma e ao PT nas últimas eleições conquistaram um troféu na montagem do novo ministério: Kátia Abreu. Ah, e também Joaquim Levy. Os nomes de dois conservadores no corpo ministerial da presidenta Dilma.
Presidenta Dilma Rousseff
Os eleitores que fizeram oposição à Dilma e ao PT nas últimas eleições conquistaram um troféu na montagem do novo ministério: Kátia Abreu. Ah, e também Joaquim Levy. Os nomes de dois conservadores no corpo ministerial da presidenta Dilma são usados como chacota da oposição conservadora. Tentam com isso mostrar que o PT não é exatamente o partido reformista em que se apostou ao sufragar o nome de Dilma em 2014.
A meia verdade e meia, porém, tem outro viés interpretativo. O que Dilma faz ao escolher o grupo conservador é, antes de mais nada, desarmar a própria oposição naquilo que lhe era mais caro: subsídio agrícola, protelação na esperada Reforma Agrária e, claro, direitos trabalhistas.
Ao aceitar trabalhar no governo PT, Katia Abreu, uma espécie de Roberta Miranda do Agronegócio e dos madeireiros, sai de cena no Congresso Nacional. Sua bandeira, que a fazia uma espinha na garganta do PT, fica a meio pau enquanto lá permanecer. E não é garantia absoluta que retomará o velho discurso quando ocorrer sua saída. Não é de bom tom se revelar algo que para muitos soa oportunismo barato tão rapidamente assim.
Levy igualmente vai engolir - e já começa a fazê-lo - muito mais sapo do que gostaria dos detratores do ministério. Não haverá mudanças bruscas nas leis trabalhistas. A correção da questão do seguro-desemprego - que antes era garantido a quem trabalhava por seis meses apenas - era uma correção prevista e esperada por qualquer cidadão de bom senso - empregador ou não.
O mesmo se diz na questão da aposentadoria das jovens viúvas. Com menos de 40 arrebanhar o equivalente ao sacrifício do aposentado, a título de pensão, é um exagero a envergonhar qualquer nação civilizada.
O canhão de dois ou três tiros, que esperamos que Dilma faça uso, terá que ir em outra direção. Na Regulação Econômica da Mídia, Reforma Política e Educação. Mexendo nestes pilares, do tripé que melhor identifica nosso atraso, Dilma estará sim avançando. Guardar cartuchos para a grande batalha é o que seus eleitores de fato esperam para o quadriênio que mal começou.
Mas qualquer mudança exige um esforço concentrado para os próximos dias. Derrotar Eduardo Cunha da presidência da Câmara é algo tão necessário quanto instalar as mudanças estruturais que o Brasil exige. A mobilização do PSDB em Brasília para evitar a debandada em favor deste nome é um bom sinal. O outro seria que seus eleitores também vissem o gesto de Aécio, FHC, Serra e Alckmin como uma ação que nada tem de defesa do interesse do PT. Mas como defesa dos interesses do país.
Fábio Laué jornalista, editor-chefe do portal de notícias Conexão Jornalismo.
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