Esta história serve para este, como serviu antes e servirá para muitos outros momentos de incertezas vividos pelo mercado, pela política e pelo cotidiano da sociedade brasileira. Certa vez, em pleno regime militar, apareceu na praça um boateiro incorrigível. Suas balelas espalhavam-se como rastilho de pólvora e, não raro, até serem dissipadas pela verdade, criavam problemas, falsas expectativas e muitos embaraços.
Mas como punir um boateiro? Não se tratava de crime tipificado no Código Civil, Penal ou mesmo Ético, em nenhum país do mundo. Nem no Alcorão os aiatolás encontrariam as bênçãos de Allah para cortar a língua de um disseminador de rumores sem fundamento.
Os militares de plantão, em vista do impasse jurídico e institucional, resolveram dar um susto no cidadão, para que tomasse juízo. Tratava-se, porém, de bom chefe de família, sem ficha desabonadora, com o passo mais acertado na Marcha da Família, com Deus pela Liberdade do que com os movimentos de Diretas, já.
Tiveram uma idéia: prenderam-no, levaram-no para o quartel da PE, na Tijuca. Após interrogatório, foi julgado culpado da acusação de boateiro contumaz. Encaminhado ao pátio do quartel e colocado à frente do pelotão de fuzilamento, ouviu a sentença de morte, com a ressalva de que, caso escapasse, estaria livre. Os soldados usavam balas de festim, apenas para assustá-lo.
O oficial determinou "fogo!" e o pelotão disparou os fuzis, deu meia-volta e dispersou-se. Surpreso, o boateiro examinou o corpo, viu que não havia sido atingido e saiu de mansinho pelo portão principal. Ainda na Rua Barão de Mesquita, a caminho da Praça Saenz Peña, encontrou um conhecido, que o saudou:
- Você por aqui? Quais são as novidades?
O boateiro o conduziu pelo braço a um canto e lhe sussurrou no ouvido:
- Não conta nada pra ninguém, mas o Exército está sem munição...
NO TETO
O presidente da Assembléia Legislativa do Rio, Jorge Picciani (PMDB), anunciou ontem, em plenário, que vai cumprir a decisão do Supremo e mandar pagar aos marajás da Casa, a partir da folha de agosto, o teto de R$ 17.170.
E mais: disse que não libera um só centavo além disso.
THE RIGHT MAN
Cansado de Hollywood e prestes a se aposentar, Paul Newman dedica-se agora a conscientizar os homens de que devem enfrentar sem complexos o problema da impotência sexual. Mas que as mulheres não fiquem alarmadas, já que célebre ator, de 78 anos, que cativou meio mundo com seus famosos olhos azuis, não sofre de disfunção erétil.
Paul Newman lançou ontem, em um hotel de Londres, uma campanha de educação sobre a incapacidade sexual masculina, patrocinada pelo fabricante do Cialis, concorrente do Viagra.
FILÃO
Segundo o Sindicato das Seguradoras, as empresas estrangeiras, em 1995, mordiam a fatia de 6,19% do mercado segurador brasileiro. Em 2002, já abocanhavam 35,06% desse bolo, confeitado em mais de US$ 11 bilhões por ano.
FIRME E FORTE
O setor petroquímico interno deverá sofrer retração de 8% a 10% este ano, em comparação com 2002. Mas um assessor do grupo Brasken revelou a esta coluna que a empresa - pertencente aos grupos Odebrecht e Mariani - está superando o problema com as exportações. Apesar da dívida de US$ 1,8 bilhão, garante que vai manter os 3,5 mil empregados, operando a todo vapor.
FICÇÃO
Corante, mel e controle remoto são os ingredientes que darão veracidade à cena de ficção em que a personagem Fernanda (Vanessa Gerbelli), de "Mulheres Apaixonadas", da Rede Globo, será atingida por uma bala perdida, no Leblon.
A cena, que vai ao ar neste sábado, está causando mais rebuliço do que as freqüentemente presenciadas nas ruas, na realidade da rotina urbana.
FLAGRANTE
Leitor desta coluna observou que na calçada da Rua Buenos Aires, próximo às casas de lazer masculino, o que mais há no chão são cartelas de Viagra.
Vazias.
Inconfidências
>>O projeto Rio Criança Maravilha, da Prefeitura do Rio,
O boateiro
Esta história serve para este, como serviu antes e servirá para muitos outros momentos de incertezas vividos pelo mercado, pela política e pelo cotidiano da sociedade brasileira. Certa vez, em pleno regime militar, apareceu na praça um boateiro incorrigível. Suas balelas espalhavam-se como rastilho de pólvora e, não raro, até serem dissipadas pela verdade, criavam problemas, falsas expectativas e muitos embaraços. (Leia Mais)
Quarta, 06 de Agosto de 2003 às 07:27, por: CdB