Rio de Janeiro, 09 de Setembro de 2026

O bloqueio econômico e político da Casamansa

Por Adelto Gonçalves - Os nossos irmãos da Casamansa, que também falam Português, os casamanseses, há mais de 30 anos lutam pela independência da Casamansa do Senegal e querem fazer parte da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Macky Sall, presidente do Senegal, chegou ao ponto de organizar um governo sem um representante da Casamansa, fazendo um bloqueio econômico e político à região.

Quarta, 10 de Setembro de 2014 às 14:45, por: CdB
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Praticamente desconhecida no Brasil, a comunidade africana da Casamansa quer ser integrada dentro da lusofonia
Os nossos irmãos da Casamansa, que também falam Português, os casamanseses, há mais de 30 anos lutam pela independência da Casamansa do Senegal e querem fazer parte da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Macky Sall, presidente do Senegal, chegou ao ponto de organizar um governo sem um representante da Casamansa, fazendo um bloqueio econômico e político à região. Como no Brasil a imprensa não publica uma linha sobre a Casamansa e quase nada sobre os países africanos de expressão portuguesa, segue este texto que está no blog Baía da Lusofonia, de Lisboa. Sei disso por experiência própria: em 1999, entrevistei em Lisboa para a revista Época um representante do Movimento das Forças Democrática da Casamansa (MFDC), Ansoumana Badji, sobre o movimento de libertação, mas a revista preferiu não publicar nada. Para quem não sabe, Casamança, também grafada com Casamansa (em francês, "Casamance") é uma região do Senegal localizada ao sul de Gâmbia e a norte da Guiné-Bissau, cortada pelo rio Casamansa (ou Casamance). "Sem uma palavra traiçoeira de arrependimento ou de compaixão, selando assim o seu plano de bloqueio político da Casamansa, Macky Sall outorga um governo sem casamanseses de origem. Sem dúvida que os carrascos senegaleses afiam as suas facas para tentar matar um povo que ainda está de pé por mais de cinco séculos, que não foi derrotado pelos colonos. Se Macky Sall e seu exército sabem que estão protegidos pela impunidade que lhes é garantida neste momento pela "comunidade internacional", especialmente a França, contudo não estão convencidos de que transformarão os dignos filhos de Victor Diatta e de Moussa Molo Baldé em perpétuos servidores e beija-mãos. A neutralização política da Casamansa depois da económica (bloqueando a Transgâmbia, isolamento marítimo e aéreo) revela que o medo está algures. Macky Sall está assustado após a tareia eleitoral. Com efeito o que lhe faz mais medo é o grande espírito de solidariedade dos casamanseses na diáspora. Um reforço do espírito de independência que ninguém pode abalar. Os casamanseses estão definitivamente conscientes, estamos condenados a agir na união, sem muito avaliar, como no passado, os projectos sociais das autoridades senegalesas que em grande parte nos mergulhou no abismo e no caos actual. Bintou Diallo - Casamansa" Adelto Gonçalves, jornalista, trabalhou no Estadão, Folha de São Paulo, Editora Abril e A Tribuna de Santos. Professor universitário, doutor em Literatura Portuguesa pela USP, autor dos livros Os Vira-latas da Madrugada, prêmio José lins do Rego, da José Olympio Editora; Gonzaga, um Poeta do Iluminismo, Barcelona Brasileira, Bocage – o Perfil Perdido e Tomás Antônio Gonzaga. Ganhou em 1986, o prêmio Fernando Pessoa, da Fundação Cultural Brasil-Portual. Professor universitário de literatura em Santos, na Universidade Paulista, Unip, e na Universidade Santa Cecília, Unisanta. Direto da Redação é editado pelo jornalista Rui Martins
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