Rio de Janeiro, 04 de Abril de 2026

O atropelo da urgência

Por Mauro Santayana - O Sr. Bornhausen assumiu a responsabilidade perigosa de acusar o PT de manter ligações com o PCC. Ele é porta-voz dos que querem retomar o poder para continuar no processo de desnacionalização da economia brasileira, que, com todos os seus erros, o governo Lula estancou.

Quarta, 19 de Julho de 2006 às 11:12, por: CdB

A paz, disse o presidente Tancredo Neves, em um de seus últimos discursos, é a esquiva conquista da razão política. Outro mineiro, o Sr. Magalhães Pinto dissera, bem antes (e antes que, de certa forma, se desmentisse, ao colocar o governo de Minas a serviço da violência do golpe militar de 1964) que os conflitos fazem parte do humano viver. Em suma, a razão política se exerce na administração dos conflitos, na exaustiva e penosa conciliação entre as idéias, os interesses e as aspirações das pessoas. Se o objetivo da razão política é a paz, deduz-se, sem muito esforço, que a práxis da política é a conciliação. Essa conciliação é ainda mais necessária e urgente quando a ordem social política se vê seriamente ameaçada.

Neste início de campanha eleitoral há alguns temas que pedem a reflexão dos políticos, dos jornalistas, dos acadêmicos, dos detentores do poder econômico. Corremos o risco de, no aquecimento verbal da busca de votos, perder o que ainda resta de bom senso nos meios políticos. É, assim, necessário examinar, com o senso comum, as questões mais urgentes.

A paisagem do mundo
O recrudescimento da guerra de Israel contra os palestinos, que agora atinge o Líbano, é mais um passo perigoso rumo a uma guerra total, que tantos prevêem. Segundo alguns historiadores, estamos em uma guerra civil mundial desde o conflito de 1914. É conveniente pensar que o Brasil sempre esteve diretamente ameaçado pelo projeto de domínio das grandes potências. Os norte-americanos pensaram - e chegaram a fazer planos para isso - em aproveitar-se da Revolução Pernambucana de 1817, a fim de desembarcar tropas em Recife, para estimular a separação do Nordeste. A rápida pacificação da Província retirou-lhes o pretexto de intervenção. No fim do século 19 e princípio do século 20, tentaram intrometer-se no Acre, com o Bolivian Syndicate. Em 1964, chegaram a mobilizar sua esquadra para intervir no Brasil, caso a resistência contra o golpe militar crescesse a ponto de promover um regime de esquerda no País.

Pois bem: tanto eles, quanto os israelitas, têm apontado a região da Tríplice Fronteira, de forte presença árabe (principalmente sírio-libanesa) como área de financiamento dos movimentos nacionais do Oriente Médio. A escalada da guerra no Oriente deve nos colocar de sobreaviso, principalmente quando sabemos que o Paraguai é sempre um risco latente contra o Brasil, desde a Guerra da Tríplice Aliança, e que tropas norte-americanas estão estacionadas ali.

Os atentados de São Paulo
Os atentados de São Paulo, do Espírito Santo e do Mato Grosso do Sul têm causas atuais e remotas. As causas atuais se encontram no caótico sistema penitenciário, que amontoa, nas mesmas e superlotadas celas, condenados de delitos diversos, que vão de furtos de necessidade a latrocínios cruéis. Isso sem falar na corrupção dos carcereiros, que facilitam a entrada de narcóticos, armas e celulares nos presídios, mediante propina. Há ainda os castigos físicos e humilhantes contra os reclusos. Não há critérios equilibrados para o tratamento dos presos: os mais valentes, ou os que dispõem de recursos para comprar facilidades, desfrutam de privilégios. Os outros, não.

Todos sabem que pequenos delinqüentes, no convívio com grandes criminosos, acabam sendo recrutados para as quadrilhas organizadas no assalto a bancos, no tráfico de cocaína, no roubo de cargas rodoviárias. Sempre se falou na necessidade de separar os criminosos mais perigosos daqueles que podem ser facilmente recuperáveis, e reeduca-los. Sempre se falou, mas nada tem sido feito. Há, ainda, a burocracia que atrasa a concessão de livramento condicional de presos que atendem aos requisitos desse benefício, sobretudo os de boa conduta carcerária, o que contribui para a frustração e o desalento dos condenados. Tampouco - e isso é grave - não há o acompanhamento rigoroso das atividades dos que são colocados em liberdade relativa, como há no sistema penitenciário norte-americano. Tampo

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