Rio de Janeiro, 06 de Outubro de 2026

"O Amor Chega Tarde" adapta contos de Isaac Singer

Baseado num trio de contos do norte-americano Isaac Bashevis Singer, O Amor Chega Tarde traz como protagonista Max Kohn, vivido pelo austríaco Otto Tausig, uma espécie de alterego do escritor, que viaja de trem para New Hampshire, onde fará um discurso.

Quinta, 28 de Julho de 2011 às 09:27, por: CdB
amor-tarde-filme-300x168.gif
Baseado num trio de contos do norte-americano Isaac Bashevis Singer (1902-1991), O Amor Chega Tarde traz como protagonista Max Kohn (o austríaco Otto Tausig, de Place Vendome) - uma espécie de alterego do escritor, que viaja de trem para New Hampshire, onde fará um discurso. O que o consome nessa viagem, além de questões existenciais, são problemas na próstata e uma libido inquieta. Na casa dos 70 anos, Max não dá sinais de cansaço, e as mulheres que o cercam - reais e imaginárias - são sua razão de viver. Apesar de ter uma namorada, Reisel ( Rhea Perlman), a vida do escritor parece acontecer em função de relacionamentos - alguns dele misturando sonho com realidade. Há também uma ex-aluna (Barbara Hershey), a camareira do hotel (Elizabeth Peña), uma viúva rica (Tovah Feldshuh), que lhe oferece tudo o que ele possa querer. Não são beleza ou sex appeal que transformam Max num ímã para as mulheres. O que as atrai é a forma como ele deixa a si mesmo de lado para ouvi-las, para dar-se ao trabalho de fazê-las sentir-se especiais. Se os relacionamentos de Max guiam a narrativa de O Amor Chega Tarde, o que o diretor e roteirista Jan Schütte coloca como pano de fundo, e isso trazido especialmente da obra de Bashevis Singer, é a experiência do personagem ser sempre um estrangeiro. Mais do que isso, um estrangeiro em sua própria cidade. Diferente da maioria dos nova-iorquinos (especialmente aqueles retratados no cinema), Max fala baixo, é calmo, e nunca altera sua voz - nem quando perde sua bagagem. Ganhador do Nobel em 1958, Bashevis Singer é autor de obras que renderam filmes como Inimigos, uma História de Amor (1989), de Paul Mazursky, e Yentl (1984), escrito, dirigido e protagonizado por Barbra Streisand - para quem rendeu um Globo de Ouro na direção.
Tags:
Edições digital e impressa