Rio de Janeiro, 05 de Setembro de 2026

O alerta das urnas européias

Segunda, 23 de Maio de 2011 às 11:05, por: CdB

Após milhares de espanhóis lotarem as praças em protesto contra o desemprego e a piora das condições de vida, os socialistas experimentam uma derrota nas eleições locais do país.

O Partido Popular (PP) de centro-direita obteve 37,53% dos votos contra os 27,70% do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) de Jose Luiz Zapatero, no comando nacional desde 2004. Além disso, a centro-direita levou 11 das 13 regiões, onde foram realizadas as eleições. Isso representou a perda, para os socialistas, de alguns redutos tradicionais, como Castela-La Manchaassume. (Confira o resultado das eleições)

O que podemos ver nas urnas espanholas é a comprovação prática do erro histórico da social democracia europeia. Erro por ter assumido não só o discurso, mas as políticas neoliberais e por ter se pautado pelo modelo anglo-americano de economia. Erro, ainda, por ter abandonado as bases do Estado de Bem Estar Social - pacto que garantiu aos trabalhadores europeus participar da renda nacional e ter um guarda chuva social e previdenciário.

Reação inevitável

Os partidos socialistas abriram espaço para a volta ao poder da direita em quase todos os países europeus. E não faltaram motivos. Não reconheceram a gravidade da crise espanhola; não disputaram a direção, nem a definição, das saídas para a crise; e, pior, deixaram a Alemanha conduzir a crise para um ajuste anti-social.

Sem permitir alternativas para o crescimento e ao se igualarem à direita conservadora, os socialistas europeus tem dado espaço à direita racista (como a francesa) e mesmo àquela do premiê italiano Silvio Berlusconi que, felizmente, agora parece que será derrotada.

Tanto a derrota anunciada do PSOE, quanto as pesquisas portuguesas - apesar da reação dos socialistas locais liderados pelo primeiro-ministro José Sócrates - parecem anunciar o fim de uma época e a necessidade de uma ampla reforma da social democracia européia.

Vamos acompanhar, agora, os resultados das eleições em Portugal. Aguardar, também, até quando a Grécia conseguirá se manter em pé, sem uma moratória, e até onde a Alemanha e a França irão chegar. Esperamos que os socialistas vençam as eleições nestes países e mudem o rumo, não só da política francesa ou alemã, mas de toda a Europa. A começar pela reestruturação das dívidas e pelas reformas no sistema financeiro europeu e mundial.

Será pedir muito?

Tags:
Edições digital e impressa