Em matéria publicada nesta quarta-feira, na sessão Internacional do The New York Times, o diário norte-americano reporta com críticas a decisão do Ministério da Justiça de expulsar do país o correspondente Larry Rohter, chefe da sucursal do jornal no Rio de Janeiro.
Editor-executivo do New York Times, Bill Keller disse que se o Brasil "pretende expulsar um jornalista por escrever um artigo que ofendeu o presidente, isso levantaria sérias dúvidas sobre o comprometimento do país com a liberdade de expressão e uma imprensa livre".
Na Associação Brasileira de Imprensa (ABI), o atual presidente da instituição, Fernando Sigismundo, concordou com a atitude do Ministério da Justiça.
- É desagradável falar sobre isso, mas não se pode manter no país um jornalista para difamar o presidente - disse Sigismundo.
Já o presidente eleito da instituição, Maurício Azêdo, criticou a decisão:
- Foi um ato extremamente violenta. Restringe o exercício da atividade profissional, o que é lamentável - afirmou. Azêdo toma posse no cargo nesta quarta-feira.
Para a Associação dos Correspondentes Internacionais, com sede também no Rio, a atitude do governo representa uma "censura".
Reação internackional
A decisão brasileira também foi notíciada na imprensa espanhola e argentina. O maior diário da Argentina, La Nación lembrou que o Brasil não foi o único país a ter problemas com o jornalista dos Times. Em julho de 2002, Rohter acusou o ex-presidente da Argentina, Carlos Menem, de receber US$ 10 milhões de um agente do Irã, para encobrir uma suposta ligação do governo de Teerã com um atentado contra a Amia.
Meses depois, ainda segundo o "La Nacion", o NYT publicou outra nota polêmica de Rohter. Ele afirmou que os habitantes da Patagônia, ressentidos com o governo argentino, fundariam uma república independente, que seria "escassamente povoada, mas próspera".