O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem que se convencer, e fazer o mesmo com a oligarquia do Brasil, de que a floresta amazônica não é uma commodity a ser explorada para ganhos privados, afirmou o jornal New York Times em editorial nesta terça-feira.
Comentando os recentes números de desmatamento de florestas divulgados pelo Ministério do Meio Ambiente - a área devastada em 2003-2004 chegou a 26.130 quilômetros quadrados -, o jornal disse que a "Amazônia parece amplamente imune à lei, especialmente em um país onde não há praticamente policiais suficientes para fazer cumprir as leis, onde o crescimento econômico parece suplantar tudo e onde políticos locais poderosos tendem a ter mais influência que o governo nacional".
A região de floresta desmatada atingiu a segunda maior marca no ano passado, apesar das medidas tomadas pelo governo, entre elas um Plano de Ação para a Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia. O recorde de desmatamento foi registrado em 1995, quando foram destruídos 29 mil quilômetros quadrados de floresta.
O Times aponta o crescimento do cultivo de soja no Mato Grosso como a "maior ameaça individual à Amazônia" e menciona o governador Blairo Maggi como um "rei da soja" despreocupado com a situação do desmatamento.
A soja é o maior produto agrícola exportado pelo Brasil e rendeu ao país no ano passado cerca de 10 bilhões de dólares. Segundo o jornal, há pessoas no governo, como a ministra Marina Silva, que acreditam em soluções melhores para impulsionar a economia brasileira, mas elas precisam de "ajuda de agências de crédito internacionais, de empresas - às quais deveriam fazer de ações ambientais sensatas uma condição para investimentos futuros - e de organizações ambientalistas, que devem manter a pressão pública".