Rio de Janeiro, 18 de Setembro de 2026

NY Times admite falhas em reportagens sobre armas no Iraque

Quarta, 26 de Maio de 2004 às 15:53, por: CdB

O jornal norte-americano New York Times admitiu na quarta-feira que as informações que recebeu de dissidentes iraquianos sobre a suposta existência de armas de destruição em massa, e que usou em reportagens sobre o assunto antes da guerra, não se sustentavam.

Numa carta assinada pelos editores, "O Times e o Iraque," o jornal afirmou: "... encontramos vários exemplos de cobertura que não foram tão rigorosos como deveriam. Em alguns casos, informação que era controversa na época, e que agora parece questionável, deixou de ser suficientemente qualificada ou foi publicada sem questionamentos".

"Olhando para trás, devíamos ter sido mais agressivos na reanálise das alegações conforme novas evidências apareceram -- ou deixaram de aparecer".

O jornal citou cinco reportagens -- várias de primeira página -- publicadas entre 2001 e 2003, que tratavam da existência de armas químicas, biológicas e nucleares no Iraque. Essas reportagens nunca tiveram confirmação independente, ou acabaram desmentidas pelos próprios repórteres ou por jornalistas de outros veículos.

Quando os repórteres publicavam textos desmentindo o original, as matérias não recebiam destaque, disse o Times.

As reportagens tinham como fonte, pelo menos em parte, um grupo de informantes, desertores e exilados iraquianos que trabalhava por uma "mudança de regime" no Iraque, disse o jornal.

Ahmad Chalabi, que já foi o principal aliado dos EUA no Iraque, mas cujos gabinetes em Bagdá foram revistados na semana passada pela polícia iraquiana, foi citado como uma das fontes que apresentou vários exilados ao Times.

"Para complicar as coisas para os jornalistas, as informações desses exilados eram muitas vezes confirmadas com ênfase por autoridades dos Estados Unidos, convencidas da necessidade de intervir no Iraque", afirmou o jornal, acrescentando que as próprias autoridades dizem agora que foram iludidas por essas fontes iraquianas.

A carta diz que os editores deveriam ter exigido mais dos repórteres e pressionado por mais ceticismo, mas que talvez estivessem mais interessados em obter furos de reportagem.

"As informações de desertores iraquianos nem sempre foram relativizadas por seu forte desejo de ver Saddam Hussein derrubado", afirmou o Times.

O jornal disse que considera o caso das armas do Iraque e da desinformação um "assunto inacabado" e afirmou que pretende continuar realizando reportagens agressivas para esclarecê-lo.

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