Uma nuvem de hidrogênio gigante está vindo em direção à Via Láctea, de acordo com astrônomos. A Nuvem Smith, como é conhecida, poderá causar espetaculares fogos de artifício quando colidir com a nossa galáxia. O espetáculo, porém, acontecerá daqui a 20, até 40 milhões de anos.
A nuvem contém hidrogênio suficiente para criar um milhão de estrelas como o Sol, de acordo com especialistas, e já está em contato com gases da galáxia. Quando a nuvem colidir com a Via Láctea, poderá gerar uma onda de novas estrelas. Os detalhes da pesquisa realizada pela US National Radio Astronomy Observatory e pela Universidade de Wisconsin-Whitewater, foram revelados no 211° encontro da Sociedade Americana Astronômica, em Austin, no Texas.
A Nuvem Smith foi batizada em homenagem à astrônoma que a descobriu, em 1963. Mas, até agora, os astrônomos não sabiam se a nuvem estava deixando a Via Láctea ou caminhando em direção a ela. O novo estudo, que utilizou o telescópio Green Bank, em West Virgínia, mostra sem dúvidas que a nuvem está vindo em direção à galáxia. Novas medidas também mostram que a nuvem tem 11 mil anos-luz de comprimento e 2,5 mil anos-luz de largura.
A nuvem gigante está se aproximando da nossa galáxia com uma velocidade de mais de 240 quilômetros por segundo e deverá colidir com a Via Láctea em um ângulo de 45 graus. De forma geral, a nuvem está atualmente acompanhando a rotação da galáxia, mas também se movendo cada vez mais perto. Os astrônomos conseguem observar uma parede de gás sendo impulsionada à medida que a Nuvem Smith se choca com a periferia da Via Láctea.
O coordenador do estudo, Felix Lockman, disse que o objeto, localizado a 40 mil anos-luz da Terra, poderá criar uma vista espetacular, visível a olho-nu.
- Nós não sabemos vem de onde veio, já que sua órbita está um pouco confusa, mas podemos dizer que está começando a interagir com a periferia da Via Láctea, que está sofrendo dificuldades de movimentação e perdendo pedaços - disse Lockman.
Quando a nuvem se juntar à nossa galáxia, irá colidir com uma região relativamente distante do Sistema Solar, a cerca de 90 graus diante do sistema no disco da galáxia. No momento da colisão, a nuvem irá gerar ondas no gás que já existe na Via Láctea.
- Será como deixar uma bomba explodir. Mas ela também criará uma grande quantidade de novos gases que poderão ter propriedades diferentes dos já existentes - disse Lockman.
Essas ondas criarão então um enorme número de novas estrelas, que serão gigantes e terão um ciclo de vida acelerado.
- Em alguns milhões de anos, o céu como vemos parecerá a celebração de ano novo celestial, com enormes fogos de artifício - disse o pesquisador.
Astrônomos já indicaram que uma região repleta de brilhantes estrelas localizada perto do Sol, chamada Cinturão de Gould, pode ter sido formada da mesma forma.
- Esta é a primeira vez que nós estamos observando isso acontecer - disse Lockman.
A nuvem de Smith foi descoberta em 1963 por uma jovem astrônoma norte-americana chamada Gail Smith, que trabalhava na Universidade Leiden, na Holanda. Atualmente, ela não trabalha mais com ciência, mas ainda vive no país.