O número de vítimas do terremoto registrado na madrugada desta terça-feira na região de Alhucemas, norte do Marrocos, subiu para 564 mortos e 300 feridos, segundo um novo balanço comunicado pela agência oficial MAP.
A agência, que não cita fontes, corrige o balanço anterior de vítimas do terremoto de 6,3 graus na escala Richter, que, segundo o ministro do Interior, Mostafá Sahel, seria de 229 mortos e 227 feridos. A MAP acrescenta que o número de vítimas aumenta à medida que as equipes de socorro avançam em suas operações nas localidades afastadas e de difícil acesso em que o terremoto ocorreu.
As cidades da província de Al Hoceima, um porto no mar Mediterrâneo, sofreram danos graves. O hospital da cidade de Al Hoceima ficou pequeno para a quantidade de feridos e ainda há pessoas sob os escombros.
"Quando pensamos que já vimos todos os mortos e feridos, chegam mais nas ambulâncias", disse um médico do principal hospital de Al Hoceima. Muitos dos feridos estavam sendo atendidos em barracas do Exército e pequenos centros de saúde. A agência de notícias oficial do Marrocos disse que o número de mortos chegava a 229. Este é o pior terremoto que atingiu o país em mais de 40 anos.
Josephine Shields, delegada da Federação das sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, na Tunísia, disse: "O que sabemos até agora é que 120 pessoas morreram e cerca de 200 estão feridas, mas esta cifra vai crescer". Ela disse que seis cidades da província foram atingidas. "A cidade de Ait Kamara foi totalmente destruída. Sabemos que em toda a área afetada vivem entre 300 mil e 400 mil pessoas. É uma área remota, muito montanhosa, de difícil acesso".
Ela disse que as vítimas precisavam de cobertores, roupas quentes, comida e água. Um funcionário do Ministério do Interior em Al Hoceima disse que as equipes de resgate necessitavam equipamentos para retirar os escombros e buscar sobreviventes.
Um porta-voz da Defesa Civil de Al Hoceima disse que o vilarejo de Ait Kamara, 14 quilômetros ao sul, ficou "completamente destruído" e que havia muitos mortos. "Até agora o resgate achou 15 corpos só neste vilarejo", disse o funcionário por telefone. A maioria das casas desabou.
Um membro do parlamento, que não quis ser identificado, disse: "O número de pessoas mortas pode chegar aos 300". As cidades de Im-Zouren e Bni-Hadifa também foram muito atingidas.
Pior terremoto desde 1960
A agência de notícias MAP disse que seria iniciada uma operação de resgate com helicópteros, tropas do Exército e da Marinha. O rei Mohammed cancelou todos os seus compromissos para supervisar as operações de resgate, disse um membro do palácio real.
O Centro de Pesquisa Geológica dos Estados Unidos disse que o terremoto teve intensidade de 6,5 na escala Richter. Um tremor de 6,0 de magnitude pode causar danos severos. A agência MAP disse que a intensidade do tremor foi de 6,0 na escala Richter e que ele foi sentido na histórica cidade de Fez e em Taza.
Al Hoceima foi fundada pelos espanhóis em 1926. O pior terremoto já registrado no Marrocos, em 1960, destruiu a cidade de Agadir e matou 12 mil pessoas.