Subiu neste sábado para pelo menos 83 o número de pessoas mortas pela explosão de carros-bomba em mercados e hotéis do balneário de Sharm el-Sheikh. O pior ataque ao Egito desde 1981 deixou também cerca de 200 feridos.
Turistas europeus abalados faziam relatos de pânico em massa e histeria, enquanto as pessoas fugiam da carnificina nas primeiras horas da manhã, com corpos espalhados pelas ruas, pessoas gritando e sirenes tocando.
O governador regional disse que dois carros-bomba e possivelmente uma mala-bomba haviam explodido no balneário, muito popular e visitado por mergulhadores e turistas europeus, bem como por diplomatas que participam de encontros de cúpula mundiais sediadas no local.
Uma das explosões destruiu a fachada do Hotel Ghazala Gardens na Baía de Naama, onde fica a maioria dos hotéis de luxo do balneário. Teme-se que haja pessoas presas nos escombros do hall principal.
Um carro invadiu o hotel e explodiu na frente do prédio, disse o governador de Sinai do Sul, Mustafa Afifi.
Um oficial sênior do setor de segurança de Sharm el-Sheikh disse que 83 pessoas morreram e 23 dos 35 feridos levados ao Cairo para tratamento estavam em condições críticas.
A maioria das vítimas era egípcia, mas a porta-voz do Ministério do Turismo disse que sete estrangeiros morreram, incluindo um checo e um italiano, e 20 ficaram feridos.
Os estrangeiros feridos são nove italianos, cinco sauditas, três britânicos, um russo, um ucraniano e um israelense, disse a repórteres a porta-voz Hala el-Khatib.
Um grupo que se diz ligado à organização Al Qaeda disse ter cometido os atentados em retaliação "crimes cometidos contra muçulmanos", de acordo com uma declaração na Internet.
A declaração foi assinada pelas Brigadas Abdullah Al-Azzam da Organização Al Qaeda no Levante e Egito. Não foi possível verificar a autenticidade da declaração.
O ministro do Interior egípcio, Habib El-Adli, disse que ainda era muito cedo para dizer se a Al Qaeda ou outros grupos islâmicos estariam ligados aos atentados, mas que há provavelmente uma ligação com os ataques cometidos em outubro do ano passado, que mataram 34 pessoas, a maioria no hotel Taba Hilton, na fronteira com Israel.
Fontes de segurança disseram que pelo menos um carro que explodiu no sábado tinha placa especial indicando ter vindo da fronteira israelense na península do Sinai.
BOLA DE FOGO
Os ataques de sábado foram os piores no Egito desde que militantes islâmicos invadiram centrais de segurança na cidade de Assiut em 1981, matando dezenas de pessoas.
Ahmed Mustafa, um garçom de um café próximo ao local da primeira explosão disse que uma bola de fogo enorme invadiu o estacionamento de um shopping center na cidade de Sharm El-Sheikh. Eram aproximadamente 1h15 da manhã, horário local.
A explosão transformou os carros em esqueletos de metal fundido, destruiu a alvenaria de alguns prédios vizinhos e quebrou vidros de janelas em um raio de centenas de metros.
Autoridades disseram que um carro havia explodido mas uma testemunha disse que um homem havia caminhado por entre a multidão com uma grande bolsa e anunciado, em árabe egípcio: "eu tenho uma bomba".
Algumas pessoas se afastaram mas outras pensaram que ele estivesse brincando, disse a testemunha. Dois minutos depois, a explosão ocorreu no local onde o homem havia colocado a bolsa, acrescentou a testemunha que pediu para não ser identificada.
Uma autoridade dos serviços de emergência disse que muitos dos feridos eram trabalhadores egípcios reunidos em um café no mercado antigo. Dezessete dos mortos foram queimados e ficaram irreconhecíveis.
O presidente egípcio, Hosni Mubarak, interrompeu as férias na costa mediterrânea e se dirigiu para Sharm El-Sheikh, disseram autoridades.
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