A descoberta de mais nove corpos, nesta segunda-feira, aumentou para 131 o número de mortos depois que um avião russo derrapou na pista de aterrissagem, chocou-se com uma barreira de concreto e uma garagem e se incendiou em Irkutsk, na Sibéria, no início de domingo.
O acidente feriu 55 pessoas, segundo o Ministério de Situações de Emergência da Rússia.
Uma fonte da comissão investigadora russa citada pela agência Ria Novosti apontou uma avaria no sistema hidráulico dos freios do avião Airbus-310 como a causa da tragédia.
Segundo o aeroporto moscovita de Domodedovo, de onde o avião decolou no sábado, 194 passageiros e oito tripulantes estavam a bordo, ou seja, 202 pessoas no total.
Dos nove corpos descobertos nesta segunda-feira, sete são de menores de idade, declarou um porta-voz do Ministério para Situações de Emergência russo.
Os centros médicos de Irkutsk receberam 55 feridos, entre eles seis crianças, enquanto outros 17 passageiros - que saíram ilesos do acidente - estão em casa.
Os feridos estavam sendo tratados por queimaduras, fraturas e por problemas respiratórios em razão da fumaça.
Crianças
Muitos dos passageiros eram crianças que viajavam para passar alguns dias no lago Baikal, a maior reserva de água doce do planeta neste formato e um dos destinos turísticos mais importantes da Rússia.
Ao menos seis crianças foram hospitalizadas, entre elas uma de 10 anos em estado grave devido às queimaduras. Ainda não se sabe ao certo o número total de menores de idade mortos no acidente, informou o Centro de Medicina de Catástrofes.
O avião da companhia Sibir, que fazia a rota entre Moscou e Irkutsk - cidade banhada pelo lago Baikal - saiu da pista logo após tocar o solo, bater contra um muro e pegar fogo. O incêndio foi controlado mais de duas horas depois do acidente.
- O avião saiu da pista de aterrissagem do aeroporto, que estava escorregadia devido à chuva, às 19h44 (horário em Brasília). Devemos verificar a aderência do trem de pouso - disse o ministro dos Transportes da Rússia, Igor Levitin, na televisão pública.
O avião transportava ao menos 12 estrangeiros: três alemães, três chineses, dois poloneses, dois azerbaijanos e dois bielo-russos. Destes, estão internados os dois poloneses, os dois bielo-russos, um alemão e um azerbaijano.
Os trabalhos de resgate continuam entre os restos do avião, que chegou pouco antes das 8h locais (20h deste sábado em Brasília) a Irkutsk, a 5 mil km de Moscou, após três horas e meia de viagem.
Um vídeo caseiro divulgado pela televisão russa mostra o bico do Airbus totalmente destruído, enquanto as chamas se propagavam por quase toda a fuselagem. Os feridos tiveram que ser retirados pela parte traseira, a única intacta.
Vários passageiros afirmam que a cabine do avião se incendiou antes da colisão com o muro, e testemunhas que moram nas imediações do aeroporto falam em duas explosões.
Hipóteses
O Ministério dos Transporte acrescentou que a torre de controle perdeu o contato por rádio com os pilotos quando o aparelho pousou, e a Promotoria Geral trabalha com duas possibilidades, "uma falha técnica e um erro humano", já que a versão de um atentado terrorista é "muito improvável".
A caixa-preta do avião foi encontrada "em bom estado" entre os restos do aparelho e será levada a Moscou para que seja decifrada por especialistas, informou o Ministério de Transporte russo.
Por iniciativa do presidente russo, Vladimir Putin, o governo criou uma comissão de investigação para esclarecer as causas da catástrofe.
Putin, que também enviou suas mais "profundas condolências" aos parentes das vítimas, encarregou o primeiro-ministro Mikhail Fradkov da tarefa, segundo informou o departamento de imprensa do Kremlin em comunicado.
A comissão, que também será encarregada de oferecer assistência aos parentes