Pelo menos 2.793 crianças, adolescentes e jovens de até 21 anos circulam pelas ruas do Recife. A estatística é considera alta, sobretudo comparando com 1998, quando o número chegava a 600 meninos morando nas ruas e há dez anos, 404.
O dado recente foi registrado pela pesquisa sobre Crianças em Situação de Risco, apresentada nesta quarta-feira na Delegacia Regional do Trabalho (DRT), que foi desenvolvida conjuntamente pela DRT, Prefeitura do Recife e Fundação Joaquim Nabuco.
A pesquisa, realizada entre os dias 26 de outubro e 1º de novembro, servirá para orientar as ações do Pacto Metropolitano pelas Crianças e Adolescentes em Situação de Rua, programa que integra os governos federal, estadual e municipais. A iniciativa do Pacto Metropolitano surgiu, no ano passado, para tirar os jovens da rua e levá-los de volta às suas famílias e comunidades de origem.
Segundo o prefeito do Recife, João Paulo, a pesquisa dará uma visão detalhada dos focos mais críticos da cidade para que se possa concentrar esforços nas regiões mais problemáticas. O delegado Regional do Trabalho, Jorge Perez, classificou a pesquisa como um instrumento de ação.
- Não é só tirar a criança da rua, temos que dar condições de vida digna também - disse.
Para a diretora do Instituto de Desenvolvimento de Formação Profissional da Fundaj, Luciana Azevedo, este levantamento é de extrema importância para o enfrentamento da exclusão social, já que ele identificou o local onde se concentram as pessoas que estão fora da escola. De posse desta listagem, o Pacto Metropolitano poderá direcionar melhor seus esforços na educação.
- O diferencial desta pesquisa é que ela não foi realizada apenas para diagnosticar, e sim para fundamentar ações de inserção social - declarou Luciana Azevedo, ressaltando ainda que as organizações não-governamentais também terão um importante papel neste processo.
- As autoridades solicitarão que as listagens provenientes da pesquisa também sejam utilizadas nos programas sociais das iniciativas privadas - argumentou.