Levantamento preliminar da Associação Brasileira das Companhias Abertas (Abrasca) mostra que o saldo entre o número de aberturas de capital de empresas no Brasil e de fechamento deverá ser positivo este ano, pelo terceiro ano consecutivo. Em entrevista à Agência Brasil, o presidente da Abrasca, Antonio Castro, informou que no acumulado entre janeiro e outubro, o saldo é de 31 empresas com abertura de capital.
Segundo Castro, até agora 85 empresas tiveram concedidos registros de capital aberto, contra 54 fechamentos.
— A gente vem numa onda bastante positiva —, disse Castro.
— Os anos de 2006 e 2007 têm sido bons —, avaliou.
Segundo ele, a partir de 2004 começou a se fortalecer no Brasil uma visão que facilitou a atuação do investidor, após a criação do Novo Mercado, pela Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa).
— Essa foi uma iniciativa muito importante porque o Novo Mercado, para o investidor, significa trabalhar investindo em empresas que têm um padrão de governança corporativa muito elevado, porque o Novo Mercado assim exige —, afirmou.
Antonio Castro destacou que 16 empresas abriram o capital em 2004. Em 2005, o número subiu para 24 e, no ano passado, para 55.
Castro afirmou que, nas ofertas públicas, os investidores estrangeiros absorvem cerca de 70% do valor que se investe nas aberturas de capital. Segundo ele, outro tipo de investidor que passou a ter uma presença maior nas negociações em bolsas de valores é o grupo de pessoas físicas.
— Hoje os investidores pessoas físicas e os estrangeiros são exatamente os que mais participam desse processo. Quando você fala do investidor estrangeiro, possivelmente ele está absorvendo alguma coisa como 30% ou mais do movimento da Bovespa. E as pessoas físicas talvez estejam absorvendo alguma coisa como 25%. Então, esses dois grupos se sentem mais confiantes no mercado do que se sentiam no passado —, explicou.
Ele ressaltou que a negociação de ações das companhias abertas em bolsa de valores é positiva para a economia e contribui para a democratização do acesso ao mercado.
— As empresas que entram no Novo Mercado da Bovespa têm três níveis de governança corporativa. As que estão no nível 3 seriam aquelas empresas que têm apenas ações ordinárias. Ou seja, todas dão a seus acionistas direitos iguais e direito de voto. Isso dá muita segurança para o investidor. E eu tenho a impressão que isso foi muito relevante para atraí-lo —, analisou.
O presidente da Abrasca acrescentou que, ao investir nesse tipo de empresa, o aplicador sente “que o nível de incerteza é muito menor e que o nível de segurança dele é maior”. E, em função disso, “quando ele [o investidor] vai para o mercado, não tem aquela preocupação de descontar um pouquinho, no preço que está disposto a pagar, incertezas quanto à segurança que vai ter como investidor”.
Castro destacou ainda que as empresas atualmente não se limitam a fazer o que é requerido legalmente pelas autoridades reguladoras.
— Quando se fala de governança corporativa, as companhias vão além do marco legal e tentam contribuir mais para a sociedade, com projetos sociais e ambientais —, afirmou.