Rio de Janeiro, 12 de Setembro de 2026

Número de civis mortos pela PM é o maior em 12 anos, revela levantamento

Sábado, 03 de Abril de 2004 às 07:48, por: CdB

A Polícia Militar paulista voltou a matar civis em quantidade. Conforme dados oficiais, em 2002, 725 pessoas foram mortas em enfrentamentos com policiais militares. Em 2003 esse número subiu para 868, num crescimento de 29%. É o maior número dos últimos 12 anos - em 1992 atingiu-se o vergonhoso recorde histórico de 1.421 mortos, ano do Massacre do Carandiru e seus 111 mortos. Foram mais de cem mortes com tiros pelas costas, no ano passado. Em média, morreu um policial para cada 300 civis.

Com a finalidade de apurar por que a PM mata, em quais circunstâncias, quem é morto e de que forma essa violência poderia ser evitada, uma equipe de jornalistas do Diário de S.Paulo passou as últimas semanas nos arquivos da Ouvidoria da Polícia de São Paulo, organismo independente que apura denúncias sobre a corporação. Ali foram consultadas pastas onde são reunidos documentos oficiais sobre cada episódio, com relatos de soldados, depoimentos de testemunhas e laudos periciais. Foi possível examinar as pastas referentes às 607 mortes em confronto com a PM. Por motivos de ordem diversa, a documentação sobre os outros casos ainda não se encontrava disponível até quarta-feira, quando o levantamento foi encerrado. Os documentos mostram fatos chocantes: morreram pelo menos 631 civis e 2 policiais; mais de 30% dos civis mortos tinham profissão declarada; 155 vítimas morreram com tiros na cabeça e pelo menos 106 vítimas com tiros pelas costas; 25% das vítimas tinham menos de 18 anos e 13 vítimas tinham 15 anos. Mais informações sobre o levantamento podem ser encontradas na edição desta sábado, do Diário de S.Paulo.

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