O número de bilionários no Brasil dobrou desde o ano passado, totalizando 16, enquanto o mundo possui agora um recorde de 793 bilionários, alta de 15% ante um ano atrás, disse a revista Forbes nesta quinta-feira. O primeiro lugar no ranking continua a ser de Bill Gates. Preços maiores das ações, do petróleo e das commodities aumentaram o patrimônio líquido total dos membros da lista para US$ 2,6 trilhões, ao mesmo tempo que 114 indivíduos se juntaram ao grupo, incluindo 10 mulheres, o que levou o total de bilionárias para 78.
- Um bilhão não é mais o que costumava ser - disse a editora associada da Forbes, Luisa Kroll, ao apresentar o top 20 anual durante uma entrevista coletiva em Nova York.
O co-fundador da Microsoft, Bill Gates, figurou no topo da lista pelo 12º ano consecutivo, com um patrimônio líquido estimado em US$ 50 bilhões, seguido pelo segundo colocado Warren Buffett, o famoso investidor do Berkshire Hathaway, de fortuna avaliada em US$ 42 bilhões. O magnata mexicano Carlos Slim subiu para o terceiro lugar, com US$ 30 bilhões, logo à frente do fundador da Ikea, Ingvar Kamprad, com US$ 28 bilhões.
Seguindo o top 10, estão o manda-chuva francês de bens luxuosos Bernard Arnault, no sétimo lugar; o magnata canadense de editoras Kenneth Thomson e sua família, e Li Ka-shing, presidente do conglomerado Hutchison Whampoa, de Hong Kong.
- Por que esta lista está crescendo? A economia global tem crescido nos últimos dois anos a taxas não vistas desde a Segunda Guerra Mundial, impulsionada pelo 'boom' das commodities com um toque da inflação - disse o presidente-executivo e editor-chefe da revista, Steve Forbes.
A lista é uma fonte de grande especulação e crítica a cada ano, com alguns dos nomeados rindo das estimativas sobre seu patrimônio líquido, que consideram muito baixas ou muito altas. Kroll reconheceu a dificuldade da tarefa já que muitos bilionários se recusam a cooperar, mas defendeu a informação, reunida por trinta repórteres em sete países, como incomparável.
- Algumas pessoas apresentam suas folhas de investimento, mostrando o lado positivo de seus negócios, então nós temos de perguntar o que as motiva. Vocês vão vender um negócio? - disse Kroll.
Outros estão prestes a se separar e querem parecer como se tivessem menos, disse ela.
- Nós sempre tentamos estar no lado mais conservador - acrescentou.
Emergentes
O Brasil dobrou seu número de bilionários para 16, com a ajuda de maciças ofertas públicas de ações. Os irmãos Joseph & Moise Safra, do Banco Safra, subiram da 91ª posição em 2005, para a 69ª neste ano, com um patrimônio líquido de US$ 7,4 bilhões. As novidades ficaram por conta de representantes da família controladora da Gol Linhas Aéreas, entre outros executivos.
Além do Brasil, países como Índia, Rússia e Oriente Médio aumentaram o número de representantes no ranking. A Índia acrescentou dez nomes à lista para um total de 23, mas apenas três deles baseados em software ou tecnologia. Seu patrimônio líquido combinado de US$ 99 bilhões ultrapassou os estimados 67 bilhões dos 27 bilionários do Japão.
Os russos adicionaram sete novos membros à lista para um total de 33, baseado nos altos preços de gás e petróleo, representando, juntos, 172 bilhões de dólares.
- A Rússia continua a nos surpreender - disse Kroll.
O Oriente Médio e a África, incluindo a Turquia, tiveram 56 bilionários, ante 29 no ano passado, com um patrimônio líquido combinado de US$ 167 bilhões, acima dos 103 bilhões há um ano. A Turquia acrescentou oito novas pessoas à lista para um total de 21, baseada principalmente em telecomunicações, mídia e negócios bancários.
O Oriente Médio também contribuiu com a bilionária mais jovem, Hind Hariri, 22, que herdou US$ 1,4 bilhões de seu pai, o ex-premiê libanês Rafik al-Hariri, assassinado em fevereiro do ano passado em um atentado. A lista