Rio de Janeiro, 09 de Outubro de 2026

Novos temores de crise na Europa e nos EUA derrubam mercados

Quinta, 04 de Agosto de 2011 às 15:53, por: CdB

As bolsas reagiram a declarações da Comissão Europeia, para quem há um contágio da crise

As novas medidas do Banco Central Europeu e o alerta de contágio da crise feito pela Comissão Europeia convulsionaram as bolsas de valores nesta quinta-feira. A turbulência chegou ao Brasil, onde a Bovespa fechou em baixa de 5,72%, a maior desde novembro de 2008.

O alerta feito pela Comissão Europeia ocorreu dois dias depois que o governo dos Estados Unidos chegou a um acordo de última hora com o Congresso para aumentar o teto de endividamento do país, evitando um calote na sua dívida.

Para o professor Armando Castelar, da Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro, ainda é difícil precisar se a queda foi pontual ou se vai continuar nos próximos dias.

"O quase calote dos Estados Unidos e o acordo da Grécia que ainda não foi implementado dão uma percepção de maior risco político", diz Castelar.

Nesta quinta-feira, o presidente do Banco Central europeu, Jean-Claude Trichet, disse que a instituição deve comprar títulos de países com dificuldades. Além de Grécia, Portugal e Irlanda, que já receberam pacotes de resgate, Itália e Espanha vem aumentar o nível de desconfiança em relação aos seus papéis.

O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, também admitiu que as medidas adotadas pela União Europeia têm se mostrado insuficientes para conter a crise, que segundo ele já não está mais localizada apenas na periferia da zona do euro.

Ao fim do dia, a bolsa de Frankfurt fechou em baixa de 3,4%, enquanto a de Londres caiu 3,43%. Em Nova York, o índice Dow Jones chegou a operar a menos de 4% durante o pregão. Em São Paulo, a Bovespa fechou em -5,72%, a 52.811 pontos.

Para Castelar, o mercado financeiro pode estar se ajustando à realidade de outros setores da economia.

"A recuperação das bolsas após a contração econômica (a partir da crise de 2008) foi muito maior que o restante da economia. As bolsas se recuperaram quase ao nível pré-crise, enquanto o crescimento econômico foi muito baixo e o desemprego continua em alta (nos EUA e na Europa)", diz.

"Parece haver um realismo por parte dos investidores. E agora há um reconhecimento de que deve haver um ajuste nas contas dos países ricos", diz.

"A Europa não está nada bem e os Estados Unidos acabaram de ter a ameaça de calote. Apesar das agências ainda avaliarem bem os titulos americanos, em outubro haverá uma reavaliação"

Vitória Saddi, professora do Insper-SP

Contágio

Vitória Saddi, professora do Insper (Insituto de Ensino e Pesquisa), de São Paulo, diz que "a Europa não está nada bem e os Estados Unidos acabaram de ter a ameaça de calote".

"Apesar das agências ainda avaliarem bem os títulos americanos, em outubro haverá uma reavaliação", diz.

Para Vitória, "o que ocorreu hoje é um exemplo de contágio" do qual o Brasil não está livre, segundo ela.

"Em 2008, também se dizia que o Brasil não seria afetado. Isso inexiste no mundo de hoje. Os fluxos financeiros determinam o ritmo de crescimento ou queda. Se nós temos a quarta maior bolsa do mundo, o Brasil pode ser afetado mais que qualquer economia da América do Sul", diz.

"O câmbio não muda a curto prazo. O fluxo financeiro continuará se dirigindo ao Brasil"

Armando Castelar, professor da FGV-RJ

Consequências

Para ambos os analistas, há dois cenários prováveis pela frente. Caso essa tenha sido uma queda pontual, sem se estender pelos próximos dias e semanas, trata-se apenas de um ajuste no mercado financeiro.

Caso a queda se acentue, a tensão nas bolsas terá graves consequências em outros setores da economia.

"O câmbio pode desvalorizar, pode haver fuga de capitais com a repatriação de investimentos que estão no Brasil. Além disso, a crise pode reduzir a demanda por exportações brasileiras?, diz Saddi.

"O mercado interno também pode reduzir a importação de produtos dos países ricos. Isso retarda o crescimento do mundo e do Brasil."

Para Castelar, aparentemente a queda nas bolsas de hoje é parte de um "fenômeno global, não local". Caso a crise nas bolsas se prolongue, "o Brasil irá sentir porque não está isolado do mundo, sobretudo porque as commodities têm um peso grande na bolsa brasileira".

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