Rio de Janeiro, 10 de Setembro de 2026

Novos saques atingem a capital do Haiti

Segunda, 08 de Março de 2004 às 16:22, por: CdB

Novos saques aconteceram nesta segunda-feira na zona industrial perto do aeroporto de Porto Príncipe, onde Boniface Alexandre assumiu oficialmente o poder, enquanto o ex-chefe de Estado Jean-Bertrand Aristide afirmou, de seu exílio, que continua sendo presidente constitucional do Haiti, e fez um apelo à resistência.

Alexandre, ex-presidente da Suprema Corte de Justiça, prestou juramento novamente hoje, depois de já tê-lo feito em 29 de fevereiro, imediatamente após a partida de Aristide para a República Centro-Africana.

Amanhã deve ser designado um novo primeiro-ministro e a composição do gabinete, anunciada no sábado. O general reformado Hérard Abraham, de 63 anos, e o comerciante Smarck Michel, de 67, ex-premier de Aristide (1994-1995) são os dois nomes mais prováveis para o cargo.

Depois da morte, ontem, de seis pessoas por disparos perto do palácio presidencial, após uma manifestação de cerca de 10.000 opositores ao ex-presidente Aristide, não se observou a presença hoje de policiais ou militares estrangeiros para dar segurança na zona industrial, que foi alvo de novos saques. Os saqueadores, em sua maioria menores de 20 anos, atacaram os motoristas e ameaçaram os repórteres com machetes.

O chefe do contingente francês no Haiti, coronel Daniel Lepatois, declarou em uma coletiva de imprensa que seu "trabalho não é impedir os saques, estou aqui para proteger as pessoas que estão em perigo". "Tenho outras missões a realizar, não posso fazer tudo", acrescentou.

Ajuda humanitária

Mais de uma semana após a partida de Aristide, a ajuda humanitária chega aos poucos ao país centro-americano, o mais pobre do continente. De Bangui, Aristide disse apoiar a "resistência pacífica" dos haitianos contra uma "ocupação inaceitável" das forças estrangeiras, sobretudo norte-americanas e francesas.

"Fui eleito democraticamente presidente da República do Haiti. Continuo sendo o presidente constitucional. Portanto, faço tudo o que está ao meu alcance para acompanhar o povo que me elegeu em sua resistência, que também é a minha", declarou Aristide, em entrevista à rádio privada RTL.

Um dos seis mortos no domingo - provavelmente um partidário de Aristide - foi atingido por fuzileiros da Marinha norte-americana, que responderam ao fogo, disse o coronel Mark Gurganus, comandante das forças internacionais no Haiti em uma coletiva de imprensa. "Os marines responderam aos disparos, um dos homens foi morto e o outro escapou", afirmou o oficial.

Entre os mortos, também há um jornalista espanhol, Ricardo Ortega, de 37 anos, primeiro correspondente estrangeiro a morrer no Haiti desde a piora da crise, em setembro passado. Pelo menos 34 pessoas foram feridas a bala na manifestação de ontem.

A Polícia Nacional do Haiti (PNH) e a força militar internacional foram acusadas de conivência por sua passividade perante os ataques dos partidários armados de Aristide.

Na manhã desta segunda-feira, França fez uma convocação ao "desarmamento imediato" das milícias no Haiti. "A França condena com total firmeza os atos criminosos cometidos ontem, em Porto Príncipe, por grupos armados ainda não identificados", frisou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Hervé Ladsous.

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