Rio de Janeiro, 14 de Setembro de 2026

Novos fósseis revelam um mundo cheio de crocodilos

Novos fósseis escavados no que hoje é o deserto do Saara revelam um mundo outrora pantanoso dividido entre algumas espécies de crocodilos diferentes e talvez inteligentes. As novas espécies podem ajudar a entender por que os crocodilianos foram e continuam sendo uma forma tão bem sucedida de vida. (Leia Mais)

Sexta, 20 de Novembro de 2009 às 10:01, por: CdB

Novos fósseis escavados no que hoje é o deserto do Saara revelam um mundo outrora pantanoso dividido entre algumas espécies de crocodilos diferentes e talvez inteligentes, disseram pesquisadores nesta quinta-feira.

As novas espécies, identificadas por apelidos: CrocJavali, CrocRato, CrocCão, CrocPato e CrocPanqueca, podem ajudar a entender por que os crocodilianos foram e continuam sendo uma forma tão bem sucedida de vida.

Eles viveram durante o Cretáceo, 145 a 65 milhões de anos atrás, quando os continentes ainda estavam unidos e o mundo era mais quente e úmido que hoje.

– Ficamos surpresos por descobrir tantas espécies do mesmo tempo no mesmo lugar –, disse o paleontólogo Hans Larsson, da Universidade McGill, de Montreal, que participou do estudo.

– Cada crocodilo aparentemente tinha dietas e comportamentos diferentes. Parece que eles dividiram o ecossistema, com cada espécie tirando proveito dele à sua própria maneira.

Com verba da National Geographic, Larsson e Paul Sereno, da Universidade de Chicago, estudaram mandíbulas, dentes e os poucos ossos disponíveis dos animais. Também fizeram tomografias computadorizadas para olhar dentro dos crânios.

Duas das espécies, o CrocCão e o CrocPato,  tinham cérebros diferentes dos crocodilos modernos.

– Eles podiam ter uma função cerebral ligeiramente mais sofisticada do que os crocodilos (atualmente) vivos, porque a caça ativa sobre a terra habitualmente exige mais poder cerebral do que simplesmente esperar que a presa apareça –, disse Larsson em nota.

O CrocRato, uma nova espécie formalmente chamada de Araripesuchus rattoides, foi encontrada no Marrocos e teria usado sua mandíbula inferior com dentes elevados para fuçar em busca de comida.

O CrocPanqueca, conhecido cientificamente como Laganosuchus thaumastos, tinha 6 metros de comprimento e uma cabeça comprida e chata. 

O CrocPato representa novos fósseis achados no Níger de uma espécie previamente conhecida, chamada Anatosuchus minor. Tinha um focinho largo e provavelmente se alimentava de larvas e sapos.

O mais feroz era o CrocJavali, também com 6 metros, mas que corria em pé e tinha uma mandíbula preparada para esmagar, com três pares de dentes cortantes.

Alguns eram bípedes, com as pernas em baixo do corpo, em vez de serem rastejantes e terem as pernas ao lado do corpo.

– Seus talentos anfíbios do passado podem ser a chave para entender como eles floresceram na era dos dinossauros e afinal sobreviveram a ela –, escreveu Sereno em um artigo para a National Geographic.

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