Rio de Janeiro, 20 de Setembro de 2026

"Novos Europeus" ficaram afastados de sua primeira eleição na UE

Segunda, 14 de Junho de 2004 às 05:59, por: CdB

Novos cidadãos da União Européia, que pertencem aos países da extinta União Soviética, permaneceram afastados da primeira eleição do Parlamento Europeu em que participaram, aparentemente refletindo a insatisfação com o desempenho do bloco de nações do velho continente.

Dados preliminares mostram que a média de eleitores que compareceram às urnas nos 10 novos países-membros, que se juntaram à União Européia em 1o de maio após anos de reformas orientadas pelo bloco, foi de cerca de 26%. Na Europa ocidental, aproximadamente 45% dos eleitores votaram.

As ilhas do Mediterrâneo de Cyprus e Malta, únicas que não têm passado comunista entre os novos integrantes da UE, foram exceção, com índice de votação de 70 e 82 por cento, respectivamente.

Analistas afirmaram que a participação dos eleitores na "Nova Europa" mostrou que as eleições do Parlamento aconteceram em um momento de anticlímax.

"Entre os novos Estados membros pode ter ocorrido algo como uma fadiga em votar", disse Graham Watson, líder do grupo Liberal Democrata no Parlamento Europeu, a repórteres.  Ele observou que todos os novos membros do bloco realizaram votações para referendar a entrada na UE e muitos deles tiveram pleitos nacionais recentemente.

Aliado a isso, a falta de conhecimento sobre as regras do Parlamento Europeu e a crença de que o "ocidente" dita as regras na UE contribuíram para o índice recorde de abstenções. "Muitas pessoas ainda têm pouca idéia do que é o Parlamento Europeu atualmente e a campanha fez pouco para torná-lo mais conhecido às pessoas", disse Maciej Kochanowicz, da empresa polonesa de pesquisas PBS.

Assim como muitos cidadãos dos países do ocidente europeu, muitos da lado oriental do continente viram a escolha dos representantes no Parlamento como uma oportunidade de mostrar o descontentamento com seus governos.

Os partidos governistas nos quatro maiores países entre os novos integrantes da UE - Polônia, República Tcheca, Eslováquia e Hungria- perderam espaço, apesar de o alto patamar das abstenções ter suavizado suas derrotas.

Tags:
Edições digital e impressa