Na próxima quarta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarca na Síria. É a oportunidade que o Brasil tem de estreitar os laços com o Oriente Médio e, juntamente com os empresários que o acompanham, ampliar as exportações de produtos brasileiros.
A capital Damasco será a primeira porta a ser aberta nesse périplo às Arábias - que vai durar oito dias e passará por Líbano, Emirados Árabes, Egito e Líbia. Se depender da simpatia da população local com os brasileiros, em razão do futebol, a missão não será das mais árduas.
Três jogadores são ídolos: Pelé, Zico e, mais do que nunca, Ronaldo. O artilheiro do Real Madrid e da seleção brasileira está em evidência nas bancas de jornais. É possível ver a foto dele estampada em capas de revistas esportivas. Nas ruas, comentam-se as façanhas do garoto nascido no subúrbio pobre do Rio de Janeiro.
Mas, basta dar uma volta por Damasco – uma das mais antigas cidades do mundo, com mais de 4,5 mil anos e cinco milhões de habitantes – para observar o Brasil em outros lugares. Nos restaurantes, geralmente, café e açúcar são “verde-amarelos” e bananas ficam penduradas nas frutarias e feiras, concorrendo com as colombianas. Os automóveis brasileiros, aos poucos, disputam espaço com franceses e russos no caótico trânsito da cidade, em que os guardas têm papel meramente figurativo e as buzinas não são acessórios, mas instrumentos vitais para o bem-estar de motoristas e pedestres.
A dificuldade é que o sucesso da empreitada brasileira não encontrará abrigo apenas na cordialidade síria. Para se ter idéia, a participação dos produtos brasileiros no país cortado pelo Rio Eufrates, no ano passado, não ultrapassou 1% das importações do país. É necessário conhecer com maior propriedade os jeitos de se negociar e entender o difícil momento econômico que a Síria atravessa. Cerca de 60% da população com idade inferior a 20 anos estão desempregados. No último ano, por exemplo, o incremento do Produto Interno Bruto (PIB) chegou a 3,2%, aquém das necessidades de desenvolvimento recomendáveis.
A informalidade, por tabela, é gritante. Crianças, adolescentes e até idosos se acotovelam nas esquinas em busca de fregueses. Vende-se de tudo: desde pilhas, CD’s piratas de música americana e cabritos vivos até paletós em carros no meio das ruas. O estudante Hassam, 17 anos, é um desses comerciantes de rua. Mesmo matriculado na escola – numa espécie de segundo grau – e com totais condições de entrar para a universidade em três anos, trabalha pela manhã vendendo cartões postais de Damasco a turistas na Mesquita Umayyad, a mais importante do país. “Vendo em média 70 cartões diariamente para ajudar meu pai a sustentar a mim e a dois irmãos”, disse.
Parte da explicação do momento ruim do país está na estrutura e práticas do governo, que, dizem os sírios, é inchado e dispendioso. Sem contar as sucessivas guerras em que a Síria se meteu nas últimas décadas, principalmente com o vizinho Israel. Os conflitos acabaram por minar os cofres públicos. O nível de investimentos na economia é baixo (23% do Produto Interno Bruto), bem como a produtividade no campo e na indústria. O país é conhecido, também, como fechado – vivia sob a órbita soviética na Guerra Fria – e lentamente abre os olhos para o mundo globalizado e para a necessidade de modernizar e diversificar sua economia, ancorada no vaivém das cotações internacionais de petróleo.
Nova etapa
Após a morte do presidente Al-Asad – que governou a Síria com mão de ferro durante 30 anos –em 2000, algumas modificações na política econômica são facilmente percebidas. O filho e sucessor, Bashar Al-Asad (hoje com 37 anos), aproximou o país de organismos internacionais, tais como a Organização Mundial de Comércio (OMC) e acena com flexibilizações: a do acesso a investimentos estrangeiros é um exemplo. Tem sido ampliado paula