O novo presidente do Iraque, Ghazi Al Yawar, afirmou ter sido pressionado por autoridades estrangeiras a não concorrer ao cargo, em parte porque não mantinha ligações com a administração dos norte-americanos no país.
Nesta terça-feira, os EUA rebateram sugestões de que estavam insatisfeitos com a nomeação de Yawar para o cargo de presidente, feita depois de vários dias de tensas negociações em Bagdá. Os norte-americanos prefeririam colocar no cargo Adnan Pachachi, um ex-chanceler de 81 anos.
"Houve pressões e ofertas para outros cargos em troca de minha renúncia à Presidência. Não aceitei nenhuma delas", disse Yawar, 46, um engenheiro civil e importante líder tribal.
As declarações foram dadas ao jornal árabe Asharq Al Awsat.
"Ficou claro que eu não era o nome preferido das autoridades da coalizão já que não tenho ligações com a administração norte-americana (do Iraque)", afirmou o novo presidente, que assumiu nesta quarta-feira.
"A razão dos três dias de atraso no anúncio do meu nome como presidente foram as pressões feitas sobre mim para que desistisse da nomeação."
Os líderes iraquianos obrigaram os EUA e a Organização das Nações Unidas (ONU), na terça-feira, a aceitar a escolha de Yawar, um executivo que estudou na Arábia Saudita e que tem criticado as políticas norte-americanas para o Iraque.
Yawar será agora a principal figura simbólica do governo interino que deve tomar posse no dia 30 de junho e administrar o país até a realização de eleições, em janeiro de 2005.
O Conselho de Governo do Iraque, órgão formado por pessoas apontadas pelos EUA, foi extinto.
Os jornais iraquianos receberam com satisfação o novo governo, mas questionaram quanto de poder real ele teria enquanto 150 mil soldados estrangeiros, em sua grande maioria norte-americanos, continuassem estacionados no país.