Rio de Janeiro, 06 de Setembro de 2026

Novo presidente do Equador promete governar até 2007

Segunda, 25 de Abril de 2005 às 17:58, por: CdB

O novo presidente do Equador, Alfredo Palacio, disse na segunda-feira que vai cumprir os dois anos de mandato que ainda lhe restam, resistindo assim aos apelos por eleições antecipadas e às dúvidas sobre sua legitimidade.

Palacio, que era vice-presidente e assumiu o cargo na semana passada, depois que o Congresso destituiu Lucio Gutiérrez, negou que haja ilegalidades no processo.

"Devemos cumprir a Constituição. O vice-presidente substitui o presidente pelo resto do período", disse Palacio, um médico com pouca experiência na vida pública.

"Meu compromisso com a Constituição, com as leis do Equador, com o direito internacional e com nossos compromissos internacionais justifica minha presença aqui no cargo de presidente", afirmou ele a jornalistas.

Gutiérrez foi levado no domingo para o Brasil, quatro dias depois de sua queda, provocada por imensas manifestações populares. Seu mandato de quatro anos terminaria em janeiro de 2007.

O ex-coronel foi o terceiro presidente deposto por pressão popular em oito anos. Ele havia prometido reformas para os mais pobres, mas em vez disso adotou políticas neoliberais que derrubaram sua popularidade.

Os protestos, entretanto, foram desencadeados pelo fato de Gutiérrez ter preenchido a Suprema Corte apenas com seus aliados políticos.

A comunidade internacional parece receosa em aceitar o novo governo do Equador, que é o segundo principal exportador de petróleo da região para os Estados Unidos.

Washington já sugeriu a antecipação das eleições e ainda não reconheceu abertamente o governo Palacio. A Organização dos Estados Americanos (OEA) enviará uma missão a Quito na próxima semana.

Entre os compromissos internacionais que Palacio prometeu respeitar está o acordo que permite aos EUA operarem uma base militar na província de Manabi. Outros ministros haviam questionado a presença militar norte-americana no país.

Muitos equatorianos, fartos da corrupção e dos partidos tradicionais, exigem mais mudanças. Uma recente pesquisa mostrou que a população se divide entre deixar que Palacio complete o mandato de Gutiérrez ou que haja eleições antecipadas.

"Vamos rezar para que eles o novo governo não sejam como os outros, que saíram por aí roubando", disse a cabeleireira Graciela López, de Quito.

Palacio, de 66 anos, prometeu convocar uma assembléia especial para decidir sobre reformas destinadas a fortalecer a instituição eleitoral, o Congresso e a Suprema Corte. Ele planeja realizar um referendo sobre as reformas antes de realizar eleições.

"O governo é fraco. Alfredo Palacio não tem força política nem apoio nos partidos políticos", disse Carlos Larreategui, especialista em pesquisas de opinião. "O perigo é que um governo que chegou ao poder por meio de uma rebelião seja visto como igual a qualquer outro."

Quito voltou ao normal após a partida de Gutiérrez. Mas ainda há protestos isolados nos arredores da capital, onde partidários do ex-presidente prometem manifestações contra o novo governo.

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