Rio de Janeiro, 06 de Setembro de 2026

Novo presidente do Equador deve reunir-se com embaixadora dos EUA

Sábado, 23 de Abril de 2005 às 13:53, por: CdB

O presidente do Equador, Alfredo Palacio, deve reunir-se na semana que vem com a embaixadora dos Estados Unidos em Quito, Kristie Kenney, confirmou neste sábado uma fonte da casa de governo.

A fonte informou que o possível encontro consta na agenda de segunda-feira do presidente equatoriano, mas ainda não foi confirmado.

Não se sabe ainda se a iniciativa para a eventual reunião surgiu de Palacio ou da embaixadora americana.

Palacio tomou posse na quinta-feira passada, uma vez que seu antecessor, Lucio Gutiérrez, foi destituído na quarta-feira pelo Parlamento em uma decisão constitucionalmente duvidosa, questionada tanto no Equador como no exterior.

Um total de 60 dos 62 deputados presentes nessa reunião, em um local alternativo ao Parlamento, destituíram Gutiérrez por "abandono do cargo", apesar de no momento da resolução ele estar no Palácio de Carondelet, sede do Executivo.

Em suas primeiras declarações depois de ser deposto, Gutiérrez disse ontem por telefone a seus seguidores que a decisão do Parlamento foi inconstitucional e que não tinha abandonado o cargo.

Gutiérrez está asilado na residência da Embaixada do Brasil em Quito, segundo porta-vozes da própria sede diplomática, mas até agora não foi visto no local pelos jornalistas e manifestantes que permanecem em frente ao edifício.

O presidente destituído espera um salvo-conduto do governo de Palacio para sair do país com destino ao Brasil, que lhe outorgou o asilo territorial.

A maior complicação de Palacio está no âmbito internacional, já que nenhum país reconheceu até agora expressamente seu Governo.

As dúvidas colocadas dentro da Organização dos Estados Americanos (OEA) sobre a legalidade do processo de destituição de Gutiérrez dificultam a intenção de Palacio de continuar com seu mandato apoiado no reconhecimento mundial.

A OEA anunciou que na semana que vem chegará ao Equador uma missão para analisar a situação política desta nação.

A viagem da missão foi decidida na noite de sexta-feira, ao término de uma longa reunião extraordinária do Conselho Permanente da OEA, e tem como objetivo "ajudar o povo equatoriano a encontrar os caminhos democráticos adequados para superar a crise política que enfrenta".

As dúvidas internacionais contrastam com o consentimento interno a respeito do governo de Palacio, já que alguns partidos que apoiavam Gutiérrez aceitaram o novo governo e outros não.
Depois de sua destituição, alguns familiares de Gutiérrez, encabeçados por seu irmão Gilmar, começaram a reagrupar suas forças para empreender medidas de apoio ao ex-governante, informou a imprensa local.

Por outro lado, várias organizações de defesa dos Direitos Humanos anunciaram uma campanha de urgência na OEA para que essa entidade respeite a decisão do Parlamento de designar Palacio, antigo vice-presidente de Gutiérrez, como presidente do país.

Tags:
Edições digital e impressa