Por Theófilo Rodrigues - Após intensas negociações durante todo o sábado em Brasília chegamos no seguinte cenário na manhã do domingo. Eduardo Cunha angariou o apoio de 10 partidos.
Segunda, 02 de Fevereiro de 2015 às 11:21, por: CdB
Eleição para presidente da Câmara dos Deputados aconteceu no domingo
Por essa ninguém esperava. A eleição para a presidência da Câmara dos deputados que ocorreu neste domingo e foi disputada pelos dois maiores partidos da base de sustentação do governo terá justamente como fiel da balança o principal partido da oposição. Coube ao PSDB decidir se o novo presidente será Arlindo Chinaglia (PT-SP) ou Eduardo Cunha (PMDB-RJ).
Após intensas negociações que tomaram conta de todo o sábado em Brasília chegamos no seguinte cenário na manhã do domingo. Eduardo Cunha angariou o apoio de 10 partidos (PMDB, PP, PTB, DEM, PRB, SDD, PSC, PHS, PEN e PRTB) totalizando uma bancada oficial de 205 deputados. Arlindo Chinaglia reuniu PT, PSD, PR, PDT, PROS e PCdoB o que lhe dá 181 votos. O candidato da oposição Júlio Delgado reuniu além do seu PSB o apoio de PSDB, PPS e PV o que significa - ao menos oficialmente - 106 votos, enquanto Chico Alencar terá apenas os 5 do PSOL.
Claro, isso tudo se considerarmos que os parlamentares respeitarão a decisão de seus partidos, o que é improvável tendo em vista que o voto é secreto. Mas ainda que haja traição, ela não será suficiente para mudar o cenário descrito.
Como a Câmara possui 513 deputados e nenhum candidato alcançará os 257 votos necessários no primeiro turno, veremos no segundo a polarização entre os governistas Cunha e Chinaglia. E é aí que entra o poder do PSDB, principal partido da oposição no país.
Como o PSDB possui sozinho mais votos que todos os outros três partidos do bloco oposicionista – enquanto os tucanos somam 54, PSB, PV e PPS somam 52 – será o seu posicionamento no segundo turno que definirá quem será eleito.
Se o PSDB apoiar Cunha, o candidato do PMDB seguramente estará eleito. Esse seria o caminho natural para um partido de oposição que aposta na desestabilização do governo. O PSDB sabe que com Cunha na presidência da Câmara as propostas do planalto não passarão com facilidade. Além disso, a “independência” de Cunha junto ao governo pode permitir a criação de novas CPIs, o arquivamento da reforma política e da mídia, bem como o possível aceite de um pedido de impeachment. Enfim, seria o caminho natural para o PSDB como líder da oposição.
Mas se o improvável caminho de apoio a Chinaglia for seguido pelo PSDB, o candidato do PT terá sua chance de vitória potencializada. Essa hipótese é plausível se o PSDB considerar que sua imagem poderá sair muito arranhada junto à opinião pública se apoiar Cunha, conhecido por suas posições conservadoras e ações nada republicanas.
Caberá aos partidos que apoiam Chinaglia a construção da ponte com o PSDB ao longo de todo o domingo. A forma como se comportarão no púlpito da Câmara durante seus discursos será uma importante sinalização do que ocorrerá no segundo turno. Vamos às urnas!
Eduardo Cunha Arlindo Chinaglia Julio Delgado Chico Alencar
PMDB - 66 PT - 70 PSDB -54 PSOl - 5
PP - 36 PSD - 37 PSB - 34
PTB - 25 PR - 34 PPS - 10
DEM - 22 PDT - 19 PV - 8
PRB - 21 PROS - 11
SDD - 15 PCdoB - 10
PSC - 12
PHS - 5
PEN - 2
PRTB - 1
205 181 106 5
Theófilo Rodrigues é cientista político.
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