Rio de Janeiro, 22 de Maio de 2026

Novo presidente boliviano anuncia eleições

Sexta, 10 de Junho de 2005 às 06:29, por: CdB

O novo presidente interino da Bolívia, Eduardo Rodríguez, começou a trabalhar nesta sexta-feira com a promessa de convocar eleições e entrar em um acordo com os movimentos indígenas que exigem a nacionalização das reservas energéticas do país e com as Províncias que demandam mais autonomia.

Rodríguez, ex-presidente da Suprema Corte, foi empossado às primeiras horas desta sexta-feira por congressistas ansiosos para acabar com as três semanas de protestos que obrigaram o antecessor dele no cargo, Carlos Mesa, a renunciar e que alimentaram temores de uma guerra civil no país mais pobre da América do Sul.

La Paz ainda sofre com a falta de combustível e de alimentos depois de bloqueios impostos pelos manifestantes, em sua maioria indígenas pobres.

Os manifestantes exigem controle estatal das reservas de gás e a convocação de uma assembléia para implementar reformas constitucionais que lhes dêem maior participação política.

- Uma das minhas obrigações será convocar um processo eleitoral a fim de transformar a representação do povo - disse Rodríguez, em um discurso feito pojuco depois de ser empossado em uma sessão emergencial do Congresso.
- Acredito que os bolivianos, acredito que nossas crianças merecem dias melhores - afirmou.
O novo presidente, que tem mestrado em administração pública pela Universidade Harvard (EUA), trabalhou como conselheiro do Ministério das Relações Exteriores da Bolívia antes de se tornar presidente da Suprema Corte. Rodríguez, segundo a Constituição, tem o dever agora de convocar eleições.

A nomeação dele aconteceu depois de o presidente do Senado, Hormando Vaca Díez, e o líder da Câmara dos Deputados terem rejeitado assumir a Presidência do país.

A Constituição previa que Vaca Díez substituísse Mesa, mas o senador não era bem visto pelos manifestantes.

A nomeação de Rodríguez era exigida pelas pessoas envolvidas nos protestos. Não se sabe ainda, porém, se os bloqueios serão suspensos totalmente.

Evo Morales, um ex-cocaleiro e hoje líder dos indígenas, disse que a nacionalização das reservas de petróleo e gás natural é fundamental e que essa é uma questão que não será negociável.

Camponeses bloquearam as vias de acesso a vários campos de gás natural operados por empresas estrangeiras na Província de Santa Cruz, levando-as a interromper a produção.

A Petrobras e o Ministério de Minas e Energia brasileiro divulgaram na noite desta quinta-feira uma nota conjunta na qual asseguraram o abastecimento de gás natural para consumidores residenciais, mesmo se houver interrupção no fornecimento da Bolívia.

O Ministério e a estatal afirmaram ainda que, para os demais consumidores do gás natural, estão preparando um plano de contingência em conjunto com as empresas produtoras e distribuidoras "cuja principal preocupação é manter o abastecimento".

- O plano considera a utilização de combustíveis substitutos como uma das principais alternativas para gerenciar uma situação temporária de redução no fornecimento do insumo proveniente da Bolívia - informou a nota.

O Ministério ressaltou que o fornecimento de gás de bujão não será afetado, pois não depende das importações da Bolívia.

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