Rio de Janeiro, 12 de Maio de 2026

Novo premier peruano ganha aval do Congresso

Sexta, 26 de Agosto de 2005 às 07:11, por: CdB

O primeiro-ministro peruano, Pedro Pablo Kuczynski, obteve com facilidade nesta sexta-feira a aprovação do Congresso ao seu programa de governo, ao prometer ampliar a guerra contra a pobreza e dar mais segurança aos cidadãos nos oito meses que faltam para as eleições gerais.

O debate durou sete horas. Um dos momentos mais acalorados foi quando o parlamentar oposicionista Ronnie Jurado acusou Kuczynski de ter beneficiado companhias chilenas na venda de instalações portuárias e deu a ele uma bandeira do país, com o qual o Peru mantém forte rivalidade.

Kuczynski se mostrou chocado com a acusação, e o ministro da Defesa, Marciano Rengifo, jogou a bandeira no chão. Posteriormente, o Peru pediu desculpas oficiais ao Chile. A moção de confiança foi aprovada logo depois de 0h de sexta-feira, por 60 votos a 6, com 29 abstenções.

Kuczynski foi nomeado primeiro-ministro neste mês, numa ampla reforma ministerial promovida pelo presidente Alejandro Toledo diante da pior crise política nos seus quatro anos de governo. A aprovação do novo premiê já era esperada.

O novo ocupante do cargo, que já foi ministro da Economia, citou o forte crescimento dos últimos quatro anos, mas disse que um país onde mais da metade da população vive na pobreza "não é viável em longo prazo".

Kuczynski afirmou que, no governo Toledo, o número de pobres caiu de 54% para 51,6%, enquanto o de miseráveis passou de 24% para 19%.

- Sabemos que as pessoas não comem cifras de crescimento. Após a desastrosa história econômica das últimas décadas, o Peru tem uma grande dívida a pagar, a dívida doméstica da pobreza - acrescentou.

Kuczynski disse que o governo vai propor um plano nacional de água e saneamento, porque "não é possível que no nosso país mais de um terço das pessoas não tenham acesso a saneamento básico e água potável".

A meta do governo, acrescentou, é reduzir o número de pobres para 20 por cento em dez anos - comparável ao índice do Chile, que é um modelo regional - e também reduzir o número de miseráveis para no máximo 5%.

- Devemos intensificar nossos esforços para dobrar o tamanho da nossa economia na próxima década e aumentar a renda per capita em 60%. ,Só então poderemos reduzir e finalmente eliminar a pobreza.- disse Kuczynski.

O governo lançou um programa de subsídios chamado Juntos para ajudar a população mais pobre.

O novo primeiro-ministro disse que o PIB já atinge 75 bilhões de dólares, que os salários e o emprego estão crescendo e que as finanças públicas estão sólidas. "Mas o preço do petróleo chegou a 68 dólares em Londres hoje, e isso deveria nos preocupar no futuro", alertou.

Mas muitos peruanos ainda se queixam do desemprego e dos baixos salários, além da criminalidade, que está em alta. Há protestos violentos contra o setor da mineração, principal atividade econômica do país.

Para melhorar a segurança, Kuczynski prometeu penas mais duras e a instalação de bloqueadores de celulares nas prisões. As delegacias vão receber computadores e 500 veículos novos, e 30% dos policiais que hoje fazem escolta de personalidades voltarão às ruas.

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