Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Novo papa mostra lado mais afável e gentil

Quarta, 20 de Abril de 2005 às 11:50, por: CdB

O papa Bento XVI, em seu primeiro discurso sobre os objetivos de seu pontificado, pareceu tentar mostrar um lado mais afável e gentil, o qual aliados dizem ter sempre estado presente.
O alemão que era comumente chamado de inquisidor dos tempos modernos por seus adversários quer indicar que está aberto.

- De certa forma, ele se libertou - disse à Reuters o padre Joseph Augustine Di Noia, agora o segundo na hierarquia do departamento que o novo papa chefiava até terça-feira.

No discurso desta quarta, o papa falou sobre "um sentimento de inadequação e de confusão humana pela responsabilidade conferida a mim ontem". Ele afirmou que não esperava ser eleito.
Como cardeal Ratzinger, ele chefiou o departamento de doutrina do Vaticano e fez teólogos dissidentes tremerem em suas bases. Agora ele está pedindo um diálogo teológico.

Um intelectual que nunca hesitou em condenar os críticos dos ensinamentos contra a contracepção, ordenação de mulheres, divórcio e homossexualismo, ele parecia mais manso do que poderoso na Capela Sistina e disse que precisaria da ajuda e das orações de todos.

Membros da Igreja como Di Noia, que o conhecem há anos, dizem não estarem surpresos e que o mundo conhecerá agora o outro lado do homem que eles acreditam foi erroneamente rotulado.
- Vocês verão que sua personalidade vai surpreender a muitos. Surpreenderá por causa da imagem quase caricatural que as pessoas tinham do cardeal que ele era" -disse o cardeal espanhol Carlos Amigo Vallejo.

Outros membros do Vaticano que trabalharam com o novo papa dizem que ele era um prisioneiro de sua antiga função:

- Em certo sentido, a função faz o homem - observou um alto prelado que passou parte da manhã de quarta-feira com Bento 16.

- Ele precisava fazer o que fazia dessa forma porque seu trabalho era defender a fé. Aqueles que não estavam no mesmo espírito enfatizaram esse aspecto de seu caráter e o chamavam de 'Cardeal Panzer' e coisas assim, mas isso não correspondia totalmente à verdade.

A mídia italiana, não muito afável com o alemão no passado, parecia abrandar sua posição agora que ele assumiu um cargo com enorme influência no país:

- Seu pontificado será uma batalha contra a má cobertura que ele teve por tanto tempo - declarou o Corriere della Sera.

Alguns dos adversários teológicos do papa elogiaram sua polidez, mas não estão seguros de que seu lado severo seria amansado tão rapidamente.

- Ele nunca esteve perto das pessoas, mesmo quando elas estiveram perto dele como colegas. Esse é o seu outro lado. Ele pode ser muito frio. Também pode discutir numa forma muito maquiavélica quando necessário - disse o teólogo suíço Hans Kueng à televisão alemã.

Questionado se Ratzinger poderia atrair pessoas para a Igreja da mesma maneira como João PauloII atraiu, ele respondeu:

- Ele terá de fazer um grande esforço. Ele não dá a impressão de ser capaz de fazer isso. Mas sou favorável a dar essa chance a ele. Vamos esperar e ver.

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