Rio de Janeiro, 13 de Setembro de 2026

Novo mínimo reforça consumo em 2005 sem aguçar temor fiscal

Quarta, 15 de Dezembro de 2004 às 17:08, por: CdB

O novo salário mínimo, de 300 reais a partir de maio, tende a reforçar --ainda que marginalmente-- o consumo das famílias em 2005, ano em que a demanda interna deve superar as vendas externas como propulsor da economia.

Nesta quarta-feira, o governo decidiu reajustar o mínimo em 15,4 por cento após encontro com sindicalistas. A cifra supera em cerca de 20 reais a prevista no projeto orçamentário, mas não chega a provocar calafrios nos defensores da austeridade fiscal.

"O mercado vê de maneira mais tranquila (que na discussão do reajuste anterior) porque confia que o governo vai absorver o impacto mantendo as metas de superávit fiscal", comentou o economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Rosa.

Para técnicos da equipe econômica, o peso da mudança sobre as contas públicas é de 5,3 bilhões de reais. Mas a parte dos recursos correspondente ao reajuste do salário previsto no projeto do Orçamento, de 2,6 bilhões de reais, já estava garantida.

Assim, conforme uma fonte da equipe econômica que pediu para não ser identificada, o impacto adicional dos gastos com o mínimo soma 2,5 bilhões de reais --buraco que, segundo ele, o governo poderá cobrir ao longo do ano com receitas extras ou corte de despesas.

O economista-chefe da GAP Asset Management, Alexandre Maia, lembra que "o governo vem entregando bons resultados fiscais". Assim, o anúncio do novo mínimo se dá num contexto de mais confiança na austeridade da equipe de Luiz Inácio Lula da Silva.

Já os economistas do Dresdner Kleinwort Wasserstein ponderam que a melhor opção seria o governo insistir no salário previsto no Orçamento, apesar da melhora da arrecadação. "Ao invés de garantir uma elevação maior do salário mínimo, o governo deveria usar (a arrecadação superior) para cortar impostos."

O governo anunciou também nesta quarta-feira a correção de 10 por cento na tabela do Imposto de Renda das Pessoas Físicas (IRPF) no próximo ano, atendendo a reivindicação das centrais sindicais. A tabela não era reajustada desde 2001.

O ministro do Trabalho, Ricardo Berzoini, reiterou que a decisão do presidente "leva em conta a responsabilidade orçamentária e o compromisso de equalizar adequadamente as receitas e despesas do governo".

APOSTA NO CONSUMO

Mesmo que não esperam aumento retumbante do consumo por conta apenas do mínimo, analistas também não descartam um reflexo positivo.

"Algum impulso sobre consumo tem, 300 reais já melhora, mas ainda não é suficiente", comentou José Maurício Soares, economista do Dieese. "Você precisa de uma recuperação do poder de compra do mínimo. O mínimo já teve valores maiores."

Estudo do Dieese mostra que o salário mínimo necessário para suprir as necessidades de uma família de quatro pessoas definida pela Constituição era de 1.439 reais em novembro.

Para a economista-chefe da Bes Investimentos, Sandra Utsumi, o reajuste "beneficia os bens não-duráveis, como alimentos, e contribui para injetar mais recursos na economia."

Maia, da GAP Asset Management, avalia que o aumento é mais um canal de sustentação da demanda no ano que vem. "Não que seja um tremendo impacto, mas é mais um canal."

Em apresentação nesta manhã, os economistas do CSFB indicaram que o consumo das famílias, junto com investimentos produtivos, deve ser o principal motor da economia no ano que vem --já que a contribuição das exportações deve diminuir.

A Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio) acredita, no entanto, que para que essa sustentação se dê é preciso mais que o reajuste do mínimo.

"O impacto sobre a atividade é praticamente nenhum, nem sobre custo nem sobre demanda. A melhora do emprego e da renda é muito mais importante que o aumento do salário mínimo", afirmou o presidente-executivo da entidade, Antonio Carlos Borges.

Ao anunciar o novo mínimo, Berzoini disse que a intenção era repassar ao trabalhador uma parcela dos ganhos com as exportações. "Este ano tivemos um crescimento que se iniciou puxado por ati

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