Rio de Janeiro, 18 de Setembro de 2026

Novo governo iraquiano começa a tomar forma

Quarta, 26 de Maio de 2004 às 06:34, por: CdB

O novo governo do Iraque está tomando forma, com as autoridades norte-americanas divulgando nomes do premier e do presidente, mas continua a haver confusão sobre o verdadeiro poder que terá essa nova liderança sobre o grande número de soldados norte-americanos estacionados no país.

A cinco semanas da data prevista para a posse de um governo interino formado por iraquianos, autoridades dos Estados Unidos disseram que o premier iraquiano seria Hussain Shahristani, um pesquisador da área nuclear que foi torturado e preso por desafiar o ex-ditador Saddam Hussein e que o presidente seria Adnan Pachachi, 

Ele disse à Reuters que preferia não assumir o cargo, mas que estava pronto a fazê-lo se fosse preciso. A violência no país árabe, que segundo o presidente norte-americano George W. Bush pode piorar antes da passagem de poder aos iraquianos, continua disseminada.

Nesta quarta-feira, houve um ataque contra engenheiros russos e novos embates entre forças dos EUA e a milícia xiita na cidade sagrada de Najaf. Dois engenheiros de uma empresa russa e dois iraquianos foram mortos quando o ônibus em que estavam foi atacado ao partir da estação de força de Dora (Bagdá), disse o Ministério das Relações Exteriores da Rússia. Outros cinco funcionários da empresa Interenergoservis ficaram feridos.

Apesar da oposição da Rússia à ocupação norte-americana, os russos que trabalham em estações de energia do Iraque viram-se alvos de ataques de insurgentes. No começo deste mês, um foi morto e dois, sequestrados.

Tanques e helicópteros norte-americanos entraram novamente em ação antes do amanhecer em Najaf, onde, segundo equipes médicas, ao menos quatro pessoas foram mortas e 29 ficaram feridas no choque entre as forças de ocupação e a milícia insurgente liderada pelo clérigo xiita Moqtada Al Sadr.

A poucas horas de ser entregue um projeto de resolução à Organização das Nações Unidas (ONU), que busca apoio para o plano de transição, líderes iraquianos, britânicos e norte-americanos apresentaram interpretações contraditórias sobre quais poderes o novo governo terá sobre os 138 mil militares dos EUA presentes no Iraque.

As aparentes diferenças entre os aliados podem prejudicar os esforços para conseguir o apoio do Conselho de Segurança da ONU para a resolução, depois de a França, a Rússia e a China terem dado sinais de que desejam mudanças no projeto.

"O controle político final ficará nas mãos do governo iraquiano", disse o primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Tony Blair. Mas, segundo o secretário de Estado dos EUA, Colin Powell: "No final, as forças norte-americanas continuam sob comando dos EUA".

Adnan Pachachi, apontado por autoridades norte-americanas como o novo presidente do Iraque, afirmou: "Entendemos que qualquer operação (militar) terá de contar com a aprovação do governo iraquiano."

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