Líderes somalis reunidos em uma conferência de paz no Quênia chegaram a um acordo sobre a formação de um novo Governo federal que regerá a Somália por quatro anos, assim como um novo Parlamento. Emissoras de rádio captadas em Nairóbi informaram, neste domingo, que a nova Câmara legislativa estará composta por 351 membros e ficará encarregada de nomear o presidente federal, que por sua vez designará o primeiro-ministro. Este Governo de transição substituirá o que surgiu em agosto de 2000, como resultado de uma conferência realizada no Djibuti e que não foi reconhecido pelos chamados "senhores da guerra" e, por isso, os confrontos continuaram no país. Desde a derrocada em 1991 do ditador Siad Barré, a Somália se viu mergulhada no caos e regida pela lei do mais forte imposta pelos "senhores da guerra", que dividiram o território em parcelas controladas por suas milícias. Também se separou a zona de "Somalilândia", no norte e na costa do Golfo de Áden, com cujo Governo separatista o novo Executivo da Somália deve negociar a reunificação. Desde 15 de outubro passado, uma Conferência de Reconciliação Nacional para a Somália reúne no Quênia o atual Governo, os principais "senhores da guerra" e políticos, além de intelectuais, religiosos e membros da sociedade civil para tentar chegar a uma Constituição e um Governo que dêem estabilidade ao país. A reunião, a maior iniciativa de paz para a Somália realizada até agora, foi organizada pela Autoridade Intergovernamental para o Desenvolvimento (IGAD, sigla em inglês), um organismo regional formado por sete países do leste africano que está intermediando os conflitos da Somália e do Sudão. Duas semanas após seu início, os participantes se decidiram por um cessar-fogo, em vigor durante todo o processo negociador e respeitado até agora, à exceção de alguns confrontos esporádicos.
Novo Governo e Parlamento querem um `cessar-fogo´
Domingo, 06 de Julho de 2003 às 05:26, por: CdB