Rio de Janeiro, 21 de Agosto de 2026

Novo governo da Tunísia não desperta confiança e manifestantes voltam a protestar

Terça, 18 de Janeiro de 2011 às 12:36, por: CdB

Milhares de manifestantes voltaram às ruas da capital, Tunis, para protesta contra o  governo de transição

 

 18/01/2011

Eduardo Castro

Correspondente da EBC na África

 

Mesmo depois da queda do presidente Zine El Abidine Ben Ali, novos protestos levaram milhares de pessoas às ruas da capital da Tunísia, Tunis, nesta terça-feira (18). Os manifestantes não concordam com a composição do governo de transição, anunciada ontem (17), que manteve aliados do ex-presidente em postos-chave da administração pública. A polícia usou bombas de gás lacrimogênio, cassetetes e escudos para dispersar os protestos.

 

Na segunda-feira (17), o primeiro-ministro, Mohammed Ghannouchi, anunciou a composição de um governo de coalizão para conduzir o país até as próximas eleições, daqui a seis meses. Ele manteve-se no cargo, bem como os titulares dos ministérios do Interior, Relações Exteriores e Defesa. Três líderes oposicionistas foram indicados para as pastas da Educação Superior, Saúde e Desenvolvimento.

 

Entretanto, três dos indicados a ministro já desistiram dos cargos, depois que a maior central sindical do país, União Geral dos Trabalhadores da Tunísia (UGTT), decidiu não reconhecer o novo governo.

 

O ex-presidente Ben Ali deixou o poder na sexta-feira (14), ao fugir do país para refugiar-se na Arábia Saudita. Ele presidia a Tunísia desde 1987. Depois da queda de Ben Ali, o governo do primeiro-ministro Ghannouchi tenta manter-se no poder prometendo reformas econômicas e políticas, legalização de partidos, supressão da censura e libertação de presos políticos. Hoje (17), desembarcou em Tunis o líder exilado Moncef Marzouki, que passou os últimos 20 anos em Paris. O partido dele foi banido durante o regime de Ben Ali.

 

Há cerca de um mês, estudantes, profissionais liberais e desempregados iniciaram uma onda de protestos contra os altos índices de desemprego e a subida repentina dos preços no país. Mobilizados pela internet, os protestos logo voltaram-se contra a falta de liberdade de expressão. O governo confirmou que 78 pessoas morreram durante as manifestações.

 

Os analistas acham difícil que a onda de manifestações tunisiana inspire movimentos semelhantes em outros países africanos. Mesmo os governados por regimes autoritários. “Já tivemos o caso da Argélia, com violência nas ruas. Agora temos a Tunísia, e algum movimento também no Egito”, diz Aly Jamal, doutor em relações internacionais e especialista em conflitos africanos, do Instituto Superior de Relações Internacionais de Moçambique. “Mas cada país tem sua especificidade”.

 

Ele lembra que, em outras ocasiões, o Egito passou por pressões populares e Hosny Mubarak, presidente desde 1981, soube equilibrar as tensões. “Vai ser uma correria para reduzir os níveis de dificuldades do dia a dia”, disse ele. “E, eventualmente, evitar que a situação atinja o nível de explosão.”

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