Bebel Gilberto não é norte-americana (sua verdadeira nacionalidade), não é brasileira, não é européia e é todas as alternativas anteriores. Em Bebel Gilberto(Universal), segundo álbum da cantora e compositora, o caráter cosmopolita de brasilidade fica ainda mais evidente. Para sustentar a tese, o álbum começa com Baby, de Caetano Veloso. Uma versão em inglês da canção de Caetano assinada pelos Mutantes - outros brasileiros maravilhosamente internacionalistas, alienígenas.
Simplesmente, bossa amorosa bilíngüe composta na Holanda em parceria com o argentino Didi Gutman, é puro deleite, assim como Aganjú, de Carlinhos Brown, com os backing vocals maternos de Miúcha.
A conexão oriental está em All Around. A faixa traz o guitarrista japonês Masaharu Shimizi na co-autoria e nos acordes. Apesar do título, Every Day You're Been Away refaz a música brasileira no que ela ainda tem de mais moderno. A composição é de Pedro Baby, filho de Baby Consuelo e Pepeu Gomes, e Daniel Jobim, neto de Tom. A voz da filha de João Gilberto remete ao encontro do pai, esteta baiano da bossa nova, com os sensacionais Novos Baianos, de Baby e Pepeu, nos anos 70. Um encontro de identificação mútua. Tom não estava lá, fisicamente, mas sua musicalidade pairava - e paira.
Outro achado do álbum é O Caminho, de Bebel, onde o piano doce de João Donato comparece inspirado. Bebel Gilberto é um passo além da festejada estréia em Tanto Tempo. Um belo caminho trilhado por uma artista que tem muito a nos dizer.