Depois de quase dois anos com estoque de importados desfalcado, a operação da Daslu está voltando ao normal. A reação da butique de Eliana Tranchesi tem uma razão: um empréstimo de R$ 20 milhões, que pode ser convertido em quase 80% das ações da Daslu. Em tese, a empresa agora pode ter um novo dono.
O diretor-financeiro da Daslu, Hayrton de Campos, confirma o aporte de capital de investidores, mas não revela os valores nem os termos do acordo. O dinheiro, segundo ele, foi usado para comprar peças importadas e pagar parte das dívidas.
O aporte de capital veio de um fundo de investimentos representado na Daslu pelo escritório de advocacia Machado Meyer. O fundo entrou na butique em abril deste ano e pode exercer a opção de compra das ações a qualquer momento, independentemente do valor da empresa.
O investidor, trazido pela própria Eliana, disputou o negócio com outro fundo, que daria à empresária um papel menor na empresa. Na ocasião, a Daslu estava numa situação crítica: além da multa milionária por sonegação fiscal, suas dívidas se agravavam por conta da reestruturação feita no ano anterior e a empresa não tinha capital de giro para comprar peças importadas, responsáveis por quase metade do seu faturamento em anos normais.
A última loja estrangeira que faltava, a italiana Prada, foi reaberta na semana passada com um movimento que há tempos não se via. A reabertura da Prada é simbólica. Em outros tempos, ela não seria possível. Para voltar a vender para Eliana, a grife exigiu 30% do pagamento das compras à vista.
Em dezembro do ano passado, a Receita Federal autuou a Daslu em R$ 236 milhões devido à suposta sonegação de impostos na importação de produtos vendidos na butique de luxo. A multa aplicada pela Receita refere-se a valores de impostos não-recolhidos em 2001 e 2005 acrescidos de multas e juros.
Representantes da loja alegam que a multa é relativa à Multiport, uma empresa que revendia mercadorias importadas, e não à Daslu. O Ministério da Fazenda, porém, considera que a Daslu é responsável pelas dívidas da Multiport.
Não foi a primeira vez que a butique teve problemas com a Receita Federal. Os irmãos Antônio Carlos Piva de Albuquerque e Eliana Tranchesi chegaram a ser presos em função de irregularidades apontadas em operações da loja.
Eles respondem a processo na 2ª Vara Federal de Guarulhos (SP). São acusados de formação de quadrilha, descaminho e falsidade ideológica.