Nove manifestantes morrem em protestos na Síria contra Assad
Por Khaled Yacoub Oweis
AMÃ (Reuters) - Tropas sírias mataram a tiros nove manifestantes nesta sexta-feira durante protestos de dezenas de milhares de pessoas pedindo a renúncia do presidente Bashar al-Assad, numa das maiores manifestações desde o início do levante na Síria em março.
O Comitê de Coordenação Local, um grupo de ativistas, afirmou que três manifestantes foram mortos a tiros na cidade de Homs, na região central do país, três na província de Idlib, no norte, dois nos subúrbios de Damasco e um em Latakia.
Desafiando a repressão militar de Assad, os manifestantes mais uma vez tomaram as ruas após as orações de sexta-feira, dos vilarejos perto da fronteira libanesa, no oeste, às regiões desérticas próximas ao Iraque, no leste.
"Bashar, saia de nossas vidas", lia-se em cartazes levados por milhares de curdos que marcharam pela cidade de Amouda, no nordeste do país, de acordo com um vídeo do You Tube feito por um morador.
Na cidade de Hama, imagens de vídeo pareciam mostrar dezenas de milhares de manifestantes reunidos numa praça central. Testemunhas e ativistas afirmaram que os manifestantes em Hama e nas áreas curdas do leste empunhavam cartões vermelhos, usando um símbolo do futebol para exigir a "expulsão" de Assad.
As autoridades proibiram a maior parte da mídia internacional de operar na Síria depois do início dos protestos em março, tornando difícil checar as notícias dadas pelos ativistas e pelas autoridades.
A televisão estatal afirmou que atiradores haviam disparado contra forças de segurança em Homs e em outras várias cidades, ferindo dois deles.
No antigo distrito de Bab Sbaa, em Homs, uma testemunha afirmou que diversos veículos blindados e soldados dispararam contra os manifestantes a partir de barricadas montadas nas ruas principais da cidade de 1 milhão de habitantes.
Outro ativista em Homs disse que o número de mortes pode ser maior, com tropas cercando um hospital particular em Bab Sbaa e diversos feridos sendo levados a outro hospital nas imediações da cidade, onde as forças de segurança não estavam presentes.
Os manifestantes tomam as ruas há 14 semanas para protestar contra Assad num levante que já custou a vida de cerca de 1.300 civis, de acordo com grupos de direitos humanos. As autoridades afirmam que 500 policiais e soldados foram mortos por atiradores, a quem também atribuem a maior parte das mortes civis.
Ao mesmo tempo em que impõe a repressão militar, Assad prometeu promover um diálogo nacional sobre reformas políticas e na segunda-feira deu uma oportunidade rara às exigências da oposição, quando autoridades autorizaram a realização de uma conferência em Damasco à qual compareceram 150 intelectuais.
(Reportagem adicional de Arshad Mohammed em Vilnius)
Reuters