Rio de Janeiro, 08 de Setembro de 2026

Novas grandes mudanças no câmbio dependem do Congresso

Segunda, 14 de Março de 2005 às 16:38, por: CdB

O presidento do Banco Central, Henrique Meirelles, admitiu nesta segunda-feira que o mercado cambial ainda pode ser aperfeiçoado, mas destacou que as próximas "grandes mudanças" dependem do Congresso.

"Os próximos passos de discussão (sobre o câmbio) seriam do marco legal, que estão no âmbito do Congresso Nacional", afirmou Meirelles a jornalistas após participar de seminário sobre câmbio em São Paulo.

"Nós não seríamos tão pretensiosos a ponto de dizer que se esgotou qualquer aperfeiçoamento no âmbito do CMN (Conselho Monetário Nacional)...mas as próximas grandes mudanças já estão fora do âmbito do CMN", disse.

"O BC continuará trabalhando...e sempre haverá oportunidade para se descobrir algo a mais que pode ser aperfeiçoado", acrescentou, sem dar detalhes.

Um dos principais pleitos levantados por empresários e analistas no evento, realizado na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), é para que as empresas exportadoras não precisem mais desovar no mercado de câmbio os dólares provenientes das vendas externas.

"Ainda não temos um projeto pronto, mas sabemos o que tem de mudar", afirmou o presidente da Funcex, Roberto Giannetti da Fonseca, referindo-se à lei de cobertura cambial. "Temos um regime de câmbio flutuante em que as forças de mercado determinam as taxas, mas essas forças não estão totalmente livres" já que os recursos advindos da exportação criam uma oferta compulsória de dólar.

Há pouco mais de uma semana, o CMN ampliou para 210 dias após o embarque das mercadorias exportadas o prazo para a internalização dos dólares obtidos nas vendas e unificou os mercados de câmbio.

Até então, os exportadores eram obrigados a ingressar com os recursos até 20 dias após o recebimento do pagamento, até um limite máximo de 210 dias após o embarque. As novas regras entraram em vigor nesta segunda-feira.

Giannetti explicou que a proposta dos empresários é que as empresas exportadoras não sejam mais obrigadas a vender seus dólares no mercado cambial brasileiro, mas possam mantê-los depositados em uma conta no país.

Segundo o economista, a idéia é que essas contas tenham uma regulamentação estrita, com compulsório alto e alavancagem baixa.

"Vamos usar todo o nosso empenho para que o Congresso vote (a proposta) ainda neste ano", afirmou.

"As medidas que entraram em vigor hoje foram todas positivas, mas vamos sugerir (ao Congresso) as outras modificações", sustentou o presidente da Fiesp, Paulo Skaf.

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