Subiu para 81 o número de chegadas e partidas dos vôos cancelados pela Nova Varig no Rio de Janeiro, nesta terça-feira. Desse total, 39 partiriam do Aeroporto Internacional do Galeão Tom Jobim, sendo 29 domésticos e dez internacionais. No Aeroporto Santos Dumont não houve alteração e apenas um vôo da Ponte Aérea Rio-São Paulo foi cancelado nesta manhã. A companhia aumentou de dez para 34 os vôos da ponte aérea e está oferecendo promoção. A passagem custa R$ 190, enquanto as empresas Gol e Tam cobram em torno de R$ 300.
As dificuldades da empresa foram questionadas pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), que determinou nesta segunda-feira a retomada imediata das rotas operadas pela companhia e, se a Varig não apresentar condições técnicas de operar os vôos para os destinos estipulados, caberá à agência a definição dos trechos concedidos. Embora a Varig tenha alegado desconhecimento da norma, a falta de aeronaves tem sido o maior desafio enfrentado pelos novos donos da empresa. Quando a companhia foi vendida, semana passada, apenas 13 aviões estavam disponíveis para atender a todos os destinos previstos.
A VarigLog depositou, nesta segunda-feira, os US$ 75 milhões (R$ 164 milhões) previstos para investimentos na Varig, como determinou o edital do leilão. Diretora da Anac, Denise Abreu informou, nesta terça, que a agência pediu ao juiz Luiz Roberto Ayoub, da 8ª Vara Empresarial, a definição do tamanho da malha a ser operada pela Nova Varig. Os slots (espaços e horários permitidos para pousos e decolagens da companhia nos aeroportos) foram garantidos pela Justiça. No mesmo dia em que arrematou a Varig, a VarigLog anunciou a suspensão dos vôos, com exceção da ponte aérea.
Presidente da Varig, Marcelo Bottini informou à Anac que a empresa irá oferecer refeições aos passageiros em esperas acima de quatro horas; além de acomodação, caso o vôo demore de um dia para o outro. A companhia esclareceu, ainda, que competirá a ela, e não ao passageiro, a busca de assento em outras companhias e os clientes deverão ser avisados dos cancelamentos por meio do serviço de atendimento da Varig. Segundo a Anac, caso hotéis e serviços de alimentação não aceitem vouchers da Varig, os passageiros devem pagar as despesas e guardar as notas e recibos de embarque para buscar ressarcimento da Varig.
Concorrência
Enquanto a Varig se debate em crises sucessivas, as companhias concorrentes aproveitam para expandir suas operações, ganhar novas rotas e ampliar o número de funcionários. A TAM e Gol, as duas maiores companhias em operação hoje no Brasil, contrataram mais de 1,5 mil funcionários nas últimas semanas, enquanto a Nova Varig já anunciou a demissão de mais de 8 mil trabalhadores, de acordo com o plano de reestruturação da empresa.
A TAM contratou mais de 500 novos colaboradores no primeiro semestre deste ano para o atendimento nos aeroportos e balcões de check-in, que andam lotados graças à diminuição do tamanho da Varig e da expansão do mercado. A Gol espera aumentar o número de funcionários de 5,5 mil em 2005 para 7,2 mil até o final deste ano. Ambas as empresas têm contratado mais pessoal também devido ao crescimento do setor. A Gol espera uma expansão do mercado de aviação civil de 20% neste ano. Já a TAM diz que o incremento atingiu 21,5% no primeiro semestre de 2006, acima das expectativas mais otimistas.
As concorrentes têm investido também em novas aeronaves. A TAM deverá somar seis novos aviões ao patrimônio da empresa, ainda este ano e prevê que, até 2010, serão 37 aviões a mais. A Gol reitera que seu plano de expansão já estava definido e não tem relação com a crise da concorrente, mas está prevista ampliação da frota dos atuais 62 aviões para 96 em 2012. Foram adicionados quatro aviões ao plano original, dois para este ano, um para 2007 e outro para 2008. Também estão nos planos das companhias novos destinos. A Gol pretende voar para toda a América Latina. Já t