Rio de Janeiro, 08 de Setembro de 2026

Nova liderança no Quirguistão diz que situação se acalmou

Sábado, 26 de Março de 2005 às 07:32, por: CdB

A nova liderança do Quirguistão procurou reforçar no sábado seu controle sobre o ex-Estado soviético na Ásia Central e expressou confiança de que o estado de "terra sem lei" que seguiu à expulsão do presidente Askar Akayev acabou.

- A situação está totalmente sob controle. Não precisamos de toque de recolher - disse o líder oposicionista Felix Kulov, colocado como responsável pela segurança, após uma noite de tiroteios esporádicos na qual um homem foi morto tentando combater saqueadores na capital, Bishkek.

No sábado, o centro de Bishkek estava quieto, com relativamente poucas pessoas nas ruas. Havia poucos sinais da violência e do caos que acompanharam os saques generalizados da noite de quinta-feira.

Os novos líderes do país - uma oposição precariamente unida que inclui muitos ex-funcionários do governo - tomaram o poder quando uma multidão de manifestantes enfrentou a polícia e invadiu a Casa Branca, sede do governo em Bishkek, na quinta-feira.

Mas como um sinal de que as coisas ainda estão confusas no país, o presidente provisório Kurmanbek Bakiev mudou o local de uma entrevista coletiva dizendo que havia informações de que um atentado estaria sendo planejado.

Também neste sábado, o parlamento local definiu para 26 de junho a data da nova eleição presidencial, desprezando protestos do antigo presidente Askar Akayev, que ainda não renunciou, apesar de ter deixado o país, e que acusa os atuais homens no poder de golpe.

Partidários de Akayev estavam planejando manifestações de apoio neste sábado, o que poderia causar novos tumultos.

O responsável pela segurança do país, Kulov, estabeleceu patrulhas policiais móveis e deu ordens à polícia para disparar para o ar para dispersar os saqueadores.

Falando a repórteres no sábado, ele disse ter informações sobre simpatizantes de Akayev se juntando em várias partes do país, mas disse não os considerar uma ameaça.

- A situação está calma e pode ser controlada - disse.

Akayev, que governava desde 1990, confirmou na sexta-feira que deixou o país, mas não disse onde estava. Ele disse que ainda é o presidente legítimo e que retornaria. A oposição promoveu um "golpe anti-constitucional," disse.

Mas o presidente interino Kurmanbek Bakiev disse que a fuga retirou de Akayev qualquer direito de ser chefe de Estado e que ele pode esperar uma recepção dura se retornar.
Bakiev, líder oposicionista que teve papel central nos protestos, indicou ministros interinos.
O Quirguistão, país de maioria muçulmana de 5 milhões de habitantes que faz fronteira com a China, está em uma região rica em energia, na qual Washington e Moscou competem por influência. Os dois países possuem bases militares nos arredores de Bishkek.

Os EUA disseram que apoiam:

- Uma saída pacífica para o futuro político do Quirguistão.

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, disse que Moscou está pronta para trabalhar com a oposição quirguiz e também ofereceu asilo a Akayev.

A derrubada de Akayev, um político relativamente liberal em uma região governada principalmente por líderes autocráticos, se seguiu a semanas de protestos em todo o país.

O Quirguistão se tornou a terceira ex-República soviética em dois anos, após a Geórgia e a Ucrânia, na qual revoltas após eleições contestadas provocaram a derrubada do governo.

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