Rio de Janeiro, 30 de Março de 2026

Nova lei eleitoral muda a rotina das campanhas políticas no país

Em Ipanema, Eduardo Silva, 23 anos, passeia com dois cartazes de um candidato a deputado federal, por oito horas seguida. Ele é o sanduíche. No calçadão de Copacabana, Márcio dos Santos, 22 anos, pedala uma bicicleta com o cartaz de um outro postulante à Câmara Federal. (Leia Mais)

Sexta, 01 de Setembro de 2006 às 09:45, por: CdB

Em Ipanema, Eduardo Silva, 23 anos, passeia com dois cartazes de um candidato a deputado federal, por oito horas seguida. Ele é o sanduíche. No calçadão de Copacabana, Márcio dos Santos, 22 anos, pedala uma bicicleta com o cartaz de um outro postulante à Câmara Federal. Eles são o retrato da nova lei eleitoral, que conseguiu inibir a poluição visual típica deste período ao proibir a colagem de cartazes em vias públicas, viadutos e postes. Com isso, os candidatos tiveram que mudar suas estratégias para chamar a atenção do eleitorado.

José Inácio da Silva, 45 anos, que também trabalhava nesta sexta-feira, em Copacabana, segurando a faixa de um candidato a deputado estadual, reclamava da nova lei, que acabou esfriando a disputa.

- A eleição antigamente parecia até um carnaval para a gente que trabalha. Agora perdeu a alegria. Eles querem preservar a limpeza da cidade e para mim acabaram com aquela garra da campanha, de conquistar o voto convencendo o eleitor no papo - disse.

Para o advogado especialista em direito eleitoral e político Alberto Rollo, com a proibição também dos showmícios e da distribuição de brindes, como bonés, canetas e lixas de unhas, muitos candidatos, em especial os que disputam cargos legislativos, estão tendo dificuldades para reinventar suas campanhas.

- Eles tentam substituir o banner no poste por esse pessoal ou pelos bonecos, mas daí a mão-de-obra tem que ser paga. Não é simplesmente um banner que você pendura no poste e fica lá algum tempo - disse Rollo.

Rollo usa o clima no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de São Paulo para afirmar também que as campanhas não pegaram. A principal reclamação de eleitores este ano são os carros de som que circulam nos fins de semana, uma tática que parece ter ganho mais fôlego este ano.

- Geralmente você ia lá (TRE) e via candidato dando paulada em candidato, partido reclamando de partido. Hoje não, o Ministério Público está até tendo tempo de fazer o papel dos partidos que não estão reclamando como antes - disse o advogado.

A Internet também aparece como uma nova arma estratégica e, além dos carros de som, os candidatos começam a abusar dos adesivos, telemarketing e material enviado pelo correio. A campanha para presidente de Geraldo Alckmin (PSDB), por exemplo, está usando 60 kombis que circulam por cidades do Norte, Nordeste e Centro-Oeste do país, regiões onde o candidato tucano mais precisa crescer para alcançar seu principal adversário, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Durante o dia, as kombis funcionam como carros de som e, à noite, projetam filmes de propaganda dos candidatos da coligação PSDB-PFL. Um dos assessores da campanha acredita que todos os candidatos, proibidos de distribuir brindes, estejam usando mais os chamados "santinhos", papéis com as propostas para o mandato, e os adesivos, "que fazem volume e dão mais visibilidade".

Já a campanha de Heloísa Helena (PSOL) encontrou nos bonecos gigantes, parecidos com os de Olinda, uma forma de chamar a atenção dos eleitores nas passeatas que organiza no Rio. Um tem a cara da senadora e o outro as madeixas de Babá, candidato a deputado federal pela legenda. Segundo assessores da presidenciável, a Internet tem sido uma grande aliada do partido, com a página do PSOL chegando a receber 700 mensagens de apoio em um único dia. E, na falta de quórum dos comícios, depois da proibição de artistas convidados, a campanha aposta nas caminhadas com os bonecos.

Heloísa chegou a fazer "minicomícios" no Pará e Alagoas, "mas o resto é pé no chão, caminhando como um bom sambista", disse uma agente de sua campanha.

Tags:
Edições digital e impressa