A frente fria que chega às regiões Sul e Sudeste neste fim de semana, segundo o meteorologista Gustavo Escobar, do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Cptec/Inpe), é formada no norte da Argentina e deve se deslocar para o litoral do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina neste sábado, causando fortes chuvas. Segundo o técnico do Inpe, a frente fria chega a São Paulo e ao Rio de Janeiro ainda neste domingo com mais chuvas nos dois Estados.
Ainda segundo o Instituto, a previsão é de tempo bom para o Nordeste, com possibilidade de chuvas isoladas ao longo do dia. Também pode chover no sul do Piauí e do Maranhão. O tempo tende a ficar nublado na Região Centro-Oeste durante os próximos dias.
Estudo
De acordo com estudo do Inpe, divulgado nesta sexta-feira durante a Cop 15, em Copenhague, o aquecimento no Brasil pode ser 20% maior do que a média mundial nas próximas décadas. Uma das principais consequências será o aumento das chuvas no Sul do país. A Amazônia e o interior do Nordeste, por outro lado, devem ficar mais secos.
O estudo, assinado por cientistas do Instituto e pelo escritório de meteorologia do governo britânico (Met Office) avalia três cenários, e em todos eles está prevista uma grande redução das chuvas nas próximas décadas. Segundo os cientistas, o aquecimento das águas dos oceanos Pacífico e Atlântico deve modificar o regime de precipitações e ventos na América do Sul. A bacia dos rios da Prata e do Paraná, que inclui Rio Grande do Sul e Santa Catarina, ficará mais chuvosa até 2080: entre 2% e 7%.
Os maiores prejudicados devem ser os moradores do sertão nordestino. A região do Rio São Francisco poderá ter as chuvas reduzidas pela metade.
Na região amazônica pode haver redução drástica nas chuvas. Com menos umidade e mais calor, a vegetação vai morrer.
– As florestas devolvem a umidade à atmosfera. É a evaporação das árvores que reforça a cobertura de nuvens e provoca mais chuvas. Se a floresta é desmatada, diminui o volume de chuvas – explica o diretor de Impactos Climáticos do Centro Hadley de Meteorologia, Richard Betts.
Os estudos britânicos em conjunto com as pesquisas brasileiras mostram que se a temperatura do planeta aumentar impressionantes 5,5ºC até 2080, no Brasil a situação será ainda pior: crescimento de 6,6 ºC.