O Sprycel (Dasatinibe), desenvolvido pelo laboratório Bristol-Myers Squibb, foi lançado no Brasil emfevereiro e é alternativa para pacientes que sofrem de Leucemia Mielóide Crônica (LMC) e têm algum tipo de intolerância clínica ao imatinibe, medicamento até então indicado pelos médicos como alternativa para o transplante de medula óssea (TMO). O Sprycel, capaz de inibir mais de 50 formas de mutação do gene que gera a LMC, é considerado pelos especialistas como uma segunda geração das terapias de alvo molecular, sendo considerado medicamento de primeira linha.
- A aprovação do medicamento pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária - Anvisa, traz novas esperanças para o tratamento da leucemia, um tipo de câncer que compromete os glóbulos brancos (leucócitos), afetando sua função e velocidade de crescimento. Tanto o imatinibe quanto o dasatinibe atuam inibindo a produção descontrolada desses glóbulos brancos no sangue. No entanto, para 29% dos pacientes com LMC que tomam imatinibe, a droga não funciona ou deixa de fazer efeito depois de cinco anos. O número é ainda maior em quem entrou na fase aguda da doença (45%) e quem recebeu o medicamento já no estágio final, a crise blástica (92%). Sendo assim, a única alternativa era o transplante. A nova droga agora é uma esperança para os pacientes com resistência ou intolerância ao imatinibe – afirma o oncoligista Ricardo Teixeira.
O médico afirma que cerca de 40 mil transplantes de medula óssea são realizados por ano em todo mundo e apenas 62% dos pacientes sobrevivem ao primeiro ano após o transplante. Há ainda uma expectativa de um ano a mais de vida para os 98.5% dos pacientes que permanecem vivos por seis anos após o transplante.
Segundo ele, o TMO é arriscado já que infecções tardias são comuns pela recuperação do sistema imunológico ocorrer gradualmente no período de 12 a 18 meses. Os transplantados também podem esbarrar em complicações hepáticas, respiratórias, oculares e esqueléticas, disfunções endócrinas entre outras.
Estudo clínico em pacientes com LMC em fase crônica comparou a eficiência do Dasatinibe 70mg, com Imatinibe 800mg, após progressão com o Imatinibe 400 – 600 mg, durante doze meses de tratamento. A conclusão foi pela superioridade do Dasatinibe.
- Com a posologia de 70mg ao dia, o paciente obtém resposta hematológica e molecular completas, com 80% de sobrevida global após 24 meses de tratamento de racaída -, declara o médico acrescentando que o Dasatinibe está indicado para LMC em fase crônica, acelerada ou blástica – diz Teixeira.
Sobre o tempo de tratamento com Dasatinibe, o oncologista afirma que o paciente com LMC deve tomar esse tipo de remédio pelo resto da vida, proporcionando a substância uma cura funcional, ou seja, a pessoa passa a conviver com a leucemia, mas não corre risco de morte.
Quanto aos efeitos colaterais, Ricardo Teixeira aponta diarréia, retenção hídrica com possível derrame na pleura (uma inflamação na membrana do pulmão), cefaléia, dor músculo esquelética, febre, fadiga, infecções e hemorragias por citopenias (queda de celulas do sangue) e plaquetopenia (queda de plaquetas).
Nova droga que evita transplantes de medula óssea já é usada no Brasil
Sexta, 11 de Abril de 2008 às 05:38, por: CdB