Nesta quinta-feira começou em Córdoba, Argentina, a 25ª. Cúpula do Mercosul. Inúmeras são as novidades. Trata-se da primeira reunião com a Venezuela enquanto sócio-pleno, além disso serão tratadas as questões decorrentes da adesão de Cuba como membro-associado, primeiro passo para a adesão-plena. Abrir-se-á, ainda, o caminho para negociações de uma parceria ex-continental, com o Paquistão. A participação de Evo Morales deverá ser também decisiva para uma futura adesão-plena, mesmo que no atual momento Morales esteja negociando um amplo acordo comercial com os Estados Unidos (o vice Alvaro Liñera encontra-se no momento em Washington). Trata-se, também, da primeira reunião depois da eleição de Alan Garcia no Peru, que manifestou, logo após sua vitória, o interesse em estreitar os laços com o Brasil, principalmente integrando a região amazônica de ambos os países.
Tal conjunto de fatos aponta para a suma importância desta 25ª. "Cumbre", que quase assume um papel continental. Joga-se em Córdoba o futuro do Mercosul.
Eleições e estratégia de integração
Nunca o continente passou por sucessão tão intensa de eleições, consagrando uma nova realidade regional: a vigência da democracia na maioria dos países latino-americanos. De dezembro de 2005 até dezembro de 2006 serão 12 processos eleitorais, todos definidores de políticas e estratégicas até o início da próxima década. Deixando de lado as idiossincracias locais e pessoais, as especificidades de processos e procedimentos, trata-se de um fenômeno inédito e de grandes conseqüências. Mesmo as mudanças mais profundas em curso - como o processo revolucionário desencadeado na Bolívia - deram-se de forma democrática e respeitosa do arranjo constitucional existente.
Evidentemente o processo de integração continental deve levar em conta tais resultados eleitorais, como no caso recente do Peru e mesmo do México.
O grau de representatividade existente em cada um destes processos eleitorais é altamente discutível, como foi no caso da Colômbia - com ampla manipulação legal e política pré-eleitoral - ou mesmo a possibilidade bastante concreta de vasta fraude no Mexico (de 50 mil urnas sob suspeita). Contudo, este é um traço indiscutível: em todos os casos os diversos partidos puderam se organizar e se expressar livremente, com acesso igual aos meios de comunicação. Estes - em muitos casos - substituíram os partidos políticos e agiram bem mais como entidades de direção política ao invés de órgãos de informação, como no caso do Peru e da Colômbia. No Peru, onde a imprensa se dividiu e assumiu, em grande maioria, o apoio a candidatura Lurdes Flores, produzindo ilusões eleitorais até a última hora, deu-se uma reação polarizando o pleito entre duas alternativas populares. Neste caso a opinião pública mostrou-se bem mais madura - no sentido de acompanhar sua própria inclinação política - e excluiu a possibilidade de fazer-se resultados eleitorais nas redações de jornais e de televisão vinculadas a grandes interesses empresariais.
Uma derrocada histórica do conservadorismo
Ao longo deste processo, as forças conservadoras, de tipo tradicional e oligárquico foram imensamente reduzidas no conjunto das eleições havidas. No Chile, somente no segundo turno aproximaram-se da candidatura da direita liberal e moderna, mostrando-se sem fôlego e capacidade de convencimento. No Uruguai, foram sufocados sob o peso da oposição liberal e no Peru ficaram reduzidos a um grupo bastante minoritário, com menos de 7% do eleitorado. Contudo, as forças liberais, modernas e globalizantes, mostraram bastante vigor no Chile e no Peru, só perdendo na arrancada final do processo eleitoral. Sebastián Piñera pode, no Chile, liderar um amplo processo de discussão sobre o papel do Estado e oferecer uma visão ( idílica ) de bem estar-social guiado pelo mercado. O mesmo aconteceu com Jorge Quiroga na Bolívia: malgrado o peso da vitória de Morales, o Par