Bovespa operava em forte baixa nesta segunda-feira, no terceiro pregão consecutivo de perdas. Segundo operadores, o mercado de ações tinha dificuldades em sair do redemoinho em que entrou na semana passada devido aos ajustes na BM&F, os resgates de fundos e o noticiário carregado.
"(O mercado) está purgando a queda dos últimos dias e tem Chechênia, oleoduto no Iraque, ameaça à embaixada dos Estados Unidos em Tóquio, Lula no New York Times...", listou o diretor da Corretora Ágora Senior Álvaro Bandeira. "Se acalmar um pouco o ânimo os mercados vão evoluir, o diabo é que todo dia tem uma coisa nova."
Às 12h25, o Ibovespa perdia 2,84 por cento, aos 18.115 pontos. Na mínima, o índice caiu 3,46 por cento e foi abaixo dos 18 mil pontos. Nos últimos dois pregões, o índice já havia despencado 7 por cento, o que levou a ajustes pesados na Bolsa de Mercadorias & Futuros.
Operadores também citam um movimento de venda forte por fundos mútuos. As sucessivas quedas da bolsa afugentaram investidores e os gestores das aplicações são obrigados a ajustar as carteiras para dar liquidez aos resgates.
No fim de semana, o noticiário não trouxe motivos a quem pretendesse aproveitar os preços baixos para voltar à bolsa. O presidente da Chechênia foi morto em um atentado a bomba, um oleoduto foi incendiado após mais um fim de semana muito violento no Iraque e a embaixada norte-americana no Japão foi advertida de risco de atentado.
Operadores também viram como mais um sinal do mau agouro que ronda os mercados brasileiros a história publicada no New York Times domingo, aventando uma "preocupação nacional" com o hábito de bebericar do presidente Luiz Inário Lula da Silva. O texto foi considerado ofensivo, calunioso e preconceituoso pela Presidência, que avalia que atitude tomar a respeito.
SEM DEFESA
A série de quedas fortes atingia todos os setores da bolsa.
"Para um mercado que caiu 10 por cento na semana passada e cai mais cinco não tem defesa", disse Bandeira, da Ágora.
Dos 54 papéis que compõem o índice, apenas oito operavam em alta. As ações de companhias com receita em moeda estrangeira caíam menos, estimuladas por mais um salto na cotação do dólar, que avançava 2,12 por cento e já era vendido a 3,128 reais. Ainda assim, a maioria desses papéis operava em baixa.
Os da Companhia Vale do Rio Doce cediam 1,52 por cento e as ações das exportadoras de celulose Aracruz e VCP caíam 2,93 e 2,85 por cento, respectivamente. As da Embraer operavam em alta de 0,8 por cento.
Os papéis da Petrobras estavam entre os mais prejudicados pelo movimento de saída de investidores do mercado de ações, embalado pela preocupação recorrente com a provável elevação dos juros nos Estados Unidos.
As preferenciais caíam 3,35 por cento e as ordinárias, 2,59 por cento.
Para a analista da BES Securities Mônica Araújo, o comportamento está mais ligado à perda de atratividade de emergentes do que a preocupações com a empresa em si. A estatal divulga seus resultados no primeiro trimestre deste ano na terça-feira, depois do fechamento da bolsa.
"É uma empresa com posição grande de investidores estrangeiros. As empresas com concentração maior vão ser mais penalizadas. Não há mudanca no cenário da empresas mas no humor dos investidores como um todo", disse ela.
As preferenciais da Telemar, blue chip do mercado, sintetizavam a tensão dos investidores e caíam 2,11 por cento.