O vídeo experimental da mineira Clarissa Campolina é sua tentativa para conhecer sua cidade, Belo Horizonte, segundo um plano préestabelecido. Essa maneira de abordagem da cidade onde vive foi proposta pelo cineasta iraniano Abbas Kiarostami a seus alunos, num curto curso que dirigiu, numa das vezes em que esteve em São Paulo, a convite de Leon Cakoff, diretor da Mostra.
Ela conta como lhe veio a idéia do filme – “Abbas nos pediu para contar como é a cidade em que acordamos todos os dias. Eu senti muita dificuldade para responder essa pergunta, como se minha cidade fosse só um lugar de passagem para ir aos mesmos lugares de sempre. Assim, crei um método para conhecer melhor uma cidade, no caso Belo Horizonte, escolhendo os lugares que eu gostaria de filmar. Meu vídeo é o resultado de todo esse processo de questionamento de uma cidade.
“O vídeo surgiu na montagem dessas filmagens de lugares que, na maioria, eu mesma não conhecia, contando-se no início como foi o processo de sorteio dos lugares a serem filmados. Cheguei, então à conclusão de que não existe uma definição exata de uma cidade, mas muitos lugares diferentes e comuns que fazem parte de sua identidade, dificultando sua interação.
Clarissa se formou em Comunicação Social Rádio e Televisão pela UGMG e faz atualmente uma pós-graduação em artes plásticas e contemporaneidade. Seu próximo projeto, é uma instação a ser concretizada em fevereiro com base as pesquisas de Notas Flanantes. Em termos de cinema, prepara o projeto de um longa com Helvecio Marins, que é também da Teia, o coletivo áudio-visual do qual faz parte, tendo como produtores a 19, de Sara Silveira, e Paulo Carvalho, do lado alemão.
Clarissa enviou seu vídeo para Locarno que foi escolhido para a seção Aqui e Além, cuja temática e a contemporaneidade. Dois outros curtas de Clarissa já vieram a Locarno – Trecho, co-dirigido com Helvecio Marins e Silêncio, co-dirigido com Sérgio Borges.
Rio de Janeiro, 26 de Setembro de 2026
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