A nota de R$ 50 pode mudar de cara ainda este ano. Para reduzir as falsificações, que no ano passado causaram um prejuízo estimado de R$ 11 milhões à sociedade, o Banco Central e a Casa da Moeda trabalham em um projeto para acrescentar à cédula elementos de segurança semelhantes aos da nota de R$ 20. Segundo José dos Santos Barbosa, chefe do Departamento de Meio Circulante do Banco Central, a proposta deve ser submetida à aprovação do CMN (Conselho Monetário Nacional) no segundo semestre. Se aprovadas, as novas notas começarão a ser impressas antes do fim do ano. As modificações fazem parte da estratégia do BC para inibir os falsificadores que, só no ano passado, forjaram 170,4 mil cédulas de R$ 50 - isso, contabilizando apenas as apreensões feitas por bancos e pela polícia e registradas junto ao BC. É quase a mesma quantidade de notas de R$ 10 falsificadas - 181 mil - mas, pelo valor mais elevado, o prejuízo causado foi muito maior. Barbosa disse que o prejuízo total com as fraudes cresceu em 15%, passando de R$ 9,5 milhões em 2001 para R$ 11 milhões em 2002. Já o número de apreensões subiu somente 4%, de 379 mil para 396 mil, o que mostra que os falsificadores estão fabricando notas de valor mais alto. Ainda assim, o crescimento foi menor do que a expansão de 35% do meio circulante - o dinheiro que circula pelo país - que cresceu de R$ 37 bilhões para R$ 50 bilhões no mesmo período. Falsificação grosseira Segundo Barbosa, 60% das falsificações são grosseiras e poderiam ser evitadas pela sociedade com gestos simples, como observar a marca d'água na nota contra a luz. "Nosso trabalho teve efeito, mas ainda não estamos satisfeitos", disse. O BC iniciou em 2001 uma campanha informativa para conscientizar a população e esclarecer dúvidas sobre as características do real, espalhando equipes por pontos públicos, como shoppings e estações de metrô, em São Paulo, Rio de Janeiro e mais oito capitais. Mas embora a informação seja a principal frente de combate às falsificações, ela não é suficiente. Por isso, as notas de R$ 50 impressas a partir do fim do ano devem ganhar elementos de segurança. A esfinge da República, por exemplo, que ilustra a frente da cédula, deve ceder espaço a uma onça-pintada. A cédula também vai ganhar uma marca tátil, à semelhança da que está no canto inferior esquerdo das cédulas de R$ 2 e R$ 20, lançadas no ano passado - medida que além de inibir a falsificação, também facilita o manejo do dinheiro por deficientes visuais. Finalmente, a imagem latente - as letras que aparecem no retângulo ue fica no canto inferior esquerdo da nota quando exposta à luz em um ângulo oblíquo - também deve mudar. "Mas só isso não é suficiente. Temos que inibir a reprodução por meio de scanner", disse Barbosa. Segundo ele, outros elementos que poderão ser agregados á nota - embora ainda estejam em fase de estudo - são a banda holográfica na lateral da cédula, semelhante à que aparece na nota de R$ 20, e o uso de uma tinta que mude de cor conforme o ângulo em que se observa. Esses dois elementos, conhecidos respectivamente como dispositivo opticamente variável e tinta opticamente variável são o que há de mais moderno para coibir a falsificação, segundo Barbosa. Além disso, a nota também poderá ganhar um fio metalizado com inscrições que vai "costurar" a nota, passando por dentro e por fora. O custo das modificações, entretanto, ainda não foi levantado pelo BC. "Ainda temos que checar a relação custo-benefício. O governo vai gastar, mas a sociedade não será mais enganada", disse.