Rio de Janeiro, 22 de Outubro de 2026

Nossos cineastas foram a Locarno

Sábado, 16 de Agosto de 2008 às 08:09, por: CdB

Um paulista, um recifense e um mineiro fazem parte do quarteto de cineastas de curtas-metragens, participantes da mostra de curtas Play Forward, do Festival Internacional de Locarno. São Gregório Graziosi, autor de Saltos, Daniel Aragão autor de Solidão Pública, e Roberto Bellini autor de Jardim Invisível. Faltou Carlosmagno Rodrigues, autor de Sebastião, o Homem que Bebia Querosene, ausente, embora com filme exibido.

 

Gregório Graziosi está terminando seu curso de cinema na Escola Armando Álvares Penteado, depois de Artes Plásticas na Escola Panamericana de Arte e Design, mas já teve o primeiro curta, Saba, exibido no Festival de Amsterdã e Cannes, sobre seus bisavós que, naquele momento, formavam um casal de centenários vivendo em São Paulo, imigrantes italianos no Brasil.

Saltos, seu segundo curta, estreou no Festival de Locarno, é um ´filme experimental sobre um atleta de salto ornamental que começa a perder a audição. Isso é contado através do som, diz Graziosi, pois qualquer falha auditiva afeta o equilíbrio e o atleta dessa categoria tem de dar o salto perfeito senão pode bater na plataforma e cair mal na água. O filme descreve a situação de maneira discreta, subcutânea, abstrata e, no final, o atleta está angustiado pois a piscina em que ele treina, a do Pinheiro, vai ser destruída para ser reformada´.

O filme foi inspirado num quadro Big Splash, de um pintor inglês, um clássico das artes plásticas inglesas, no qual se vê um trampolim e na sua frente um esguicho d´água depois do mergulho de um atleta.

Seu novo curta é Phiro e consiste numa espécie de continuação de Saba, mas  centrado no bisavó que se tornou viúvo. O curta ainda inédito já tem participação assegurada num outro festival, cujo nome Graziosi não revela.

 

O filme Solidão Pública, de Daniel Aragão, já foi exibido no festival paulistano de documentário, É Tudo Verdade, em março, e num outro festival de Belo Horizonte. ´O filme é minha busca pessoal, diz Daniel, do formato documentário, que geralmente mostra resultados induzidos pelo diretor. Assim, coloquei 60 pessoas voluntárias de frente para câmera, num cabine religada a um telão numa praça pública. As pessoas ganhavam três reais para ficar três minutos diante da camera. Não há dialogo oral´, diz ele. Foi assim que algumas pessoas tiveram reações supreendentes, bem visíveis no telão da praça pública.

Por sua vez, os expectadores, de tanto verem rostos, começam a se deter nos pormenores e nas linhas do rosto, coisa que geralmente não se vê. Daneil é um autodidata em cinema, tudo que aprendeu com trabalhando com o grupo do diretor Marcelo Gomes, de Aspirina, que – como ele diz – teve o grupo de colocar principiantes como assistentes de direção.

Daniel já fez dois outros curtas, Conta-gotas, pouco exibido mas que já foi mostrado no Festival de Hamburgo. O segundo foi Uma Vida e Outra já exibido no Festival de Clermont-Ferrand, na França, na Eslováquia e em Brasília. Vai rodar um quarto curta em setembro e tem um longa ainda na fase de produção, cujo título vai ser Boa Sorte meu Amor, sobre uma menina que se perde em Recife de noite.

 

Jardim Invisível, de Roberto Bellini, foi feito no Texas, no final do seu mestrado em transmedia de artes-plásticas, depois de ter se formado na universidade federal de Minas Gerais, em Belo Horizonte. Ele retrata o bairro onde morava e a paisagem à noite, num estudo sobre a urbanização, como se articula a paisagem e se cria uma fantasia dentro dessa paisagem. Não há diálogo, e começa um citação do autor Italo Calvino sobre o interesse de pessoas observarem a sua própria ausência no lugar onde moram. Com a urbanização resta só o jardim imaginário criado por Bellini.

Bellini trabalha como mais como artista plástico do que cineasta, já fez uns quinze vídeos, desenhos, instalações, esculturas. Alguns de seus vídeos circulam em festivais, porém outro só em galerias. Um deles, Teoria da Paisagem, esteve no museu de Vigo na Espanha. Antes de viajar para Locarno, tinha feito um exposição no Palácio das Artes, em BH, com mais três artistas.
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