Rio de Janeiro, 22 de Agosto de 2026

Nos ecos da manifestação a incógnita sobre o país que vem

Por Oscar Berro - Para o bem e para o mal, aquele 13 de março modificou de modo definitivo o Brasil, fazendo emergir, décadas mais tarde, um país amadurecido na dor, com instituições mais sólidas

Sábado, 19 de Março de 2016 às 10:06, por: CdB

Para o bem e para o mal, aquele 13 de março modificou de modo definitivo o Brasil, fazendo emergir, décadas mais tarde, um país amadurecido na dor, com instituições mais sólidas

Por Oscar Berro - do Rio de Janeiro
Parece que o 13 de março é uma data escolhida pelos astros como um dia de grandes transformações para o Brasil. Nesse dia, em 1964, em frente à Central do Brasil, o Comício realizado pelo então presidente Jango, defendendo, entre outras coisas, a Reforma Agrária, levou, poucos dias depois, ao golpe militar, mergulhando o país em um período conhecido como ‘os anos de chumbo’, onde os direitos individuais foram abolidos, levando, como consequência, à luta armada. Para o bem e para o mal, aquele 13 de março modificou de modo definitivo o Brasil, fazendo emergir, décadas mais tarde, um país amadurecido na dor, com instituições mais sólidas.
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Quarenta e sete por cento dos manifestantes reclamavam da corrupção durante os atos do dia 13
Agora, 52 anos mais tarde, em um domingo, novamente o dia 13 de março marcou um encontro com nosso destino, levando às ruas a maior multidão de nossa história, clamando por mudanças, clamando, acima de tudo, pelo fim da endêmica corrupção que, como febre malsã, mantém o Brasil atrelado ao atraso, a uma convicção arraigada de que a coisa pública não é de ninguém, de que os fins justificam os meios, de que um líder messiânico irá resolver nossos problemas, em um verdadeiro Sebastianismo tupiniquim. Certamente naquela tarde de domingo estava sendo gestado um novo país, pois, como diz a canção, nada será como antes, amanhã. Ainda não sabemos que país emergirá como fruto da indignação de tantas pessoas que saíram, pela primeira vez, de sua zona de conforto para mostrar o que pensam, para mostrar que paciência tem limite. O mais importante, quando colocamos o último dia 13 de março em um contexto histórico de longo prazo, é sabermos que naquele dia estivemos frente a frente, olho no olho, com a História. E isso é de arrepiar! Afinal esse é o nosso país e o futuro dele é também o nosso futuro. Que venham outros 13 de março! Oscar Berro é sanitarista da Fiocruz  e vice-presidente Regional do PSB do Rio de Janeiro.
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